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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Sicoob-CredPit promove projeto de Educação Cooperativista em Pitangui e região


O Sicoob-CredPit vem, desde o mês de fevereiro desenvolvendo o projeto "Difusão do Cooperativismo na Escola", que tem como idealizador Heleno Severino e conta com o suporte e parceria do diretor financeiro da instituição, Carlos Antônio.

Carlos Antônio fala aos professores da
Escola Estadual Bom Jesus do Oeste/Conceição do Par

O projeto, que também tem o aval da Superintendência Regional de Ensino de Pará de Minas, visa levar às escolas da rede pública estadual de Pitangui, Conceição do Pará e Leandro Ferreira a proposta de inserção da disciplina "cooperativismo" na grade curricular com o objetivo de promover, por meio dos conteúdos relacionados com a disciplina, mudanças de hábitos cotidianos, no sentido de despertar nos discentes o espírito cooperativista.
Para Heleno Severino, o projeto visa criar as possibilidades para futuros projetos geradores de renda a partir de ações cooperativistas. Carlos Antônio, corroborando com o que afirma Severino, enfatiza as possibilidades de se introduzir uma mudança na cultura da população através da escola, que permita, não só aos estudantes, mas também a toda população, se esclarecer sobre as possibilidades que o cooperativismo viabiliza.

Gestores do CredPit e diretoras das escolas públicas de Pitangui
em encontro de apresentação do projeto: Salão CDL/Pitangui

No primeiro momento, os organizadores do projeto promoveram encontros com gestores escolares e professores para a apresentação da proposta. Inicialmente, 11 escolas públicas estaduais aderiram ao projeto, hoje são 12 escolas e alunos do ensino fundamental, ensino médio e EJA (Educação de Jovens e Adultos).
Na atual fase, o projeto está promovendo junto às escolas a apresentação do "Programa 5 S", que, na visão dos idealizadores do projeto, é essencial para desencadear processos de mudanças que privilegiem ações voltadas a atender as demandas identificadas por cada comum idade escolar envolvida no projeto.

Cartilha sobre o "Programa 5S"
Outra iniciativa que agrega valor ao projeto é a parceria firmada entre o Sicoob-CredPit e a OCEMG, instituição representativa do conjunto de cooperativas existentes no estado de Minas Gerais, que forneceu material de suporte didático, que será entregue às escolas participantes do projeto.


Para acompanhar, de forma direta, a condução do projeto junto às escolas, o professor/Mestre em Educação, Licínio Filho contratado para desenvolver propostas facilitadoras, que permitam a efetivação do projeto em sala de aula. 
As escolas envolvidas se comprometeram em manter o projeto por todo ano letivo de 2017, em contrapartida, o Sicoob-CredPit, além do suporte didático, promoverá atividades que envolvam os alunos das escolas participantes, além de ceder um espaço para que as escolas possam apresentar à comunidade externa os trabalhos desenvolvidos pelos alunos, de caráter cooperativista. Um bom exemplo para ilustrar é o esforço junto à direção do ITAC em reativar a cooperativa que existia naquele estabelecimento escolar. As aulas de cooperativismo já estão sendo ministradas aos alunos do 1º ano do Ensino Médio e, os mesmos, já estão organizando uma horta, cujos produtos serão comercializados em espaço, como já afirmamos, fornecido pelo CredPit.

Professor Licínio Filho em encontro com a direção da
Escola Estadual Dr. Isauro Epifânio/Conceição do Pará.
O grupo envolvido diretamente com o projeto não tem medido esforços para consolidá-lo e vê com otimismo o futuro da proposta educacional que o projeto contempla.

Acompanhe o projeto "Difusão do Cooperativismo na Escola" 
acessando a página do projeto no facebook pelo link abaixo:
https://www.facebook.com/credpitnaescola/








domingo, 21 de maio de 2017

Falha a talha - Crônica de Paulo Miranda


Já desde os primórdios da sede familiar tivemos o conforto de uma talha para a água de beber. Era um investimento bem mais maciço do que numa bilha - que se comprava à porta - mas que dada a sua maior capacidade, compensava plenamente. E, por termos cisterna, dispensava-se aquela talha de duas seções, com filtro. Usávamos assim a de um bojo só, compridinha, marronzinha e de torneirinha.


O copo era compartilhado. Era de alumínio, que se dizia, espantava os germes - e estávamos todos bebidos. Ficava ele sempre ao lado da pia, que se alojava numa cantoneira de cimento, chumbada na parede do corredor. Chamávamo-lo assim, corredor, pelo seu formato retangular, aquele cômodo que, embora pequenino, dava saídas e entradas para quatro outros cômodos distintos: a sala de entrada, o quarto dos fundos, o banheiro, e cozinha. E ainda comportava um lavabo de louça, encimado por um armarinho com espelho, para o asseio matinal. Assim, a não ser pra beber água, ou para as abluções, ninguém se estacava no corredor.



Esse aparente abandono tinha as suas vantagens, sobretudo quando não se achava o copo de alumínio no seu devido lugar. Tomava-se - suspeita-se - água no bico da talha. Diretamente. Prática veementemente condenada por mamãe: uma falta de educação inafiançável. Bradávamos que não deixávamos a boca se encostar na ponta da torneirinha da talha. Mas não adiantava a desculpa. Era feio e condenável.



E como criança aprende e desaprende depressa, o Nacho, ainda em idade preescolar, teve a oportunidade de sua lição - aliada a uma sede miserável, e a falta do copo d´água em seu lugar. E mais o agravante de a talha estar quase vazia e ter que ser adernada para fornecer o líquido que já guardava no fundo.



Quando ouvimos aquele barulho esquisito, da cozinha ou do quintal, acorremos todos à sua origem: o corredor estava todo molhado, e cacos de cerâmica espalhados por todas as quinze bandas. O único sinal de vida eram as marcas de pezinhos fininhos, molhados, na fuga desabalada pelo piso do quarto e salto à janela.



Ficamos a ponderar o que não teria sido a talha, no seu irremediável salto para o piso de cimento vermelhão e ladrilhos ter encontrado a cabeça do Nacho no trajeto... O guri teve os glúteos poupados - com severas admoestações. E a talha substituta - que ficou muito tempo passando aquele gosto de barro cozido pras nossas bocas, via copo de alumínio - passou a ter nova residência: a caixa da cisterna, liberando a cantoneira para um novo inquilino, pretinho e barulhento como ele só: o telefone de baquelite.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Um olhar Institucional sobre o Turismo em Pitangui



Neste dezoito de maio, Dia Internacional dos Museus, divulgamos uma entrevista realizada com o Antônio Lemos, Secretário Municipal de Cultura, em continuidade do projeto: Turismo em Pitangui - Uma janela de possibilidadesAs filmagens ocorreram no dia 5 de maio, na Prefeitura Municipal onde fomos bem recebidos pelo Secretário e sua equipe.


Antônio Lemos - Secretário de Turismo, Cultura e Patrimônio Histórico. 
Foto: Léo Morato.

A abordagem e as reflexões apresentadas neste projeto são importantes para ampliarmos o nossos conceitos e para pensarmos em alternativas para cidade. Em um momento no qual Pitangui tem o desafio de se afirmar como cidade histórica ao mesmo tempo em que precisa gerar trabalho, renda e mais qualidade de vida para os moradores, o Turismo e a valorização do Patrimônio Histórico Cultural podem configurar-se como opções reais. Aperte o play e confira o vídeo abaixo.


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Caroli no Quatresia

Caroli e Welbert.
Foto: Quatresia.

Na postagem de hoje abordamos dois temas num só: a obra do poeta e escritor pitanguiense Roberto Carlos de Oliveira, o Roberto Caroli - Licenciado em Letras e professor na rede pública estadual - e o Projeto Quatresia. 


Caroli e Welbert.

Foto: Quatresia

Sob a definição "Quatro amigos e uma ideia: contar ao mundo o que eles leram", a iniciativa do Quatresia tem a participação do pitanguiense, jornalista e escritor Ricardo Welbert que, junto com mais três amigos publicam resenhas em um canal no youtube, no ar há 9 meses, com atualizações periódicas sobre obras literárias, além de entrevistas com pessoas afins. Para saber mais sobre o poeta Caroli e o projeto Quatresia, assista ao divertido vídeo abaixo.Vale a pena conferir!



O novo projeto do Roberto Caroli é um livro de bolso com poesias sobre os patrimônios pitanguienses. Com o foco na memoria cultural da cidade e na educação patrimonial, o livreto será distribuído gratuitamente nas festividades do próximo aniversário de Pitangui no mês de junho. 

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Os nossos tons de cinza

A Santa Cruz. Pitangui, maio de 2017. 
Fotos: Léo Morato.

Uma frente fria que pairou na cidade no primeiro fim de semana de maio, trouxe uma densa neblina que atravessou as noites e as primeiras horas das manhãs, até ser totalmente rompida pelos raios de sol. 



Este bucolismo que veio à tona, pode ser observado nos arredores da Igreja de São Francisco de Assis, que foi o ponto culminante da Procissão da Santa Cruzou do Fogaréu, no sábado à noite. 


Pelo que se soube, o cortejo que preencheu as ruas de Pitangui com fogo e fé, foi um a iniciativa da Secretaria de Cultura, em parceria com alguns seguimentos da Igreja Católica e que contou com a participação de integrantes da Casa de Recuperação "Fazendinha". Devido a um outro compromisso naquela noite de sábado, não pudemos acompanhar a procissão.



É importante realizar, participar e apoiar ações como esta que - numa mistura de religiosidade, história e cultura - resgatam as características, simbologias e valores da histórica Pitangui.


A cidade se revela a quem a observa com um olhar atento de contemplação!



Os tons de cinza das nossas ruas.

terça-feira, 25 de abril de 2017

O jogo do bicho em Pitangui

O jogo do bicho é uma bolsa ilegal de  apostas em números que representam animais. Foi inventado em 1892 pelo barão João Batista Viana Drumond, fundador do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro. 
A fase de intensa especulação financeira e jogatina na bolsa de valores nos primeiros anos da  república brasileira imprimiu grave crise ao comércio. Para estimular as vendas, os comerciantes instituíram sorteios de brindes. Assim é que, querendo aumentar a frequência popular ao zoológico, o barão decidiu estipular um prêmio em dinheiro ao portador do bilhete de entrada que tivesse a figura do animal do dia, o qual era escolhido entre os 25 animais do zoológico e passava o dia inteiro encoberto com um pano. O pano somente era retirado no final do dia, revelando o animal do dia. Posteriormente, os animais foram associados a séries numéricas da loteria e o jogo passou a ser praticado largamente fora do zoológico, a ponto de transformar a  capital da República (de 1889 a 1960) na "capital do jogo do bicho".
Atualmente, o jogo do bicho continua a ser praticado em larga escala nas ruas das principais cidades do Brasil, não obstante ser considerado uma contravenção pela legislação penal brasileira.
Fonte: Wikipédia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Jogo_do_bicho)
Não se sabe quando o jogo chegou a Pitangui e nem quem foi o primeiro "bicheiro" da cidade, mas em 1931 ele já existia na Velha Serrana e sentido-se incomodada com essa modalidade de jogo a cidadã Helena Pires escreve ao então secretário de estado de segurança pública Gustavo Capanema solicitando a ele providências contra a prática do jogo e contra a "quadrilha perigosa" que o movimentava na cidade. 

"Ilmo. Exmo. Sr. Dr. secretário da segurança pública de Minas Gerais
Saudações

O momento é como se vê de economia. Os governos procuram na medida de suas forças suavizar questões de modo incrementar a grandeza coletiva. Assim faz o governo central secundado pelos governos estaduais. Mas, infelizmente, assim não sucede nos governos municipais, cuja inépcia e descaso deixam que os municípios se afundem no lamaçal da desgraça! Assim é por exemplo, Pitanguy. Por quê? Porque sendo uma cidade pobre, vai-se tornando há muito, um foco de jogatina desenfreada e perigosa. Deixamos de parte os jogos de azar para nos ocupar tão somente com o jogo do bicho. E nesse sentido não precisamos de ir longe; são bem conhecidas as circunstâncias desgraçadas desse jogo. Aqui, em Pitanguy, tem se tornado livre de modo que é vendido nas ruas, nos negócios e em toda parte. Não precisamos dizer que o atual delegado assim consente isto muito embora contra o clamor público. Sem mais, comentário nesse sentido, chamamos a esclarecida atenção de V. Exa. Certo de que não será em vão. Os banqueiros são useiros e vezeiros na arte de ludibriar e roubar o povo. São eles: Juca da Busica, José Caixote Juca do Hotel. Esta quadrilha perigosa está há muito cavando a desgraça deste povo. Urge, depois, uma providência por parte do Estado. Não queremos tal jogo. Apelamos para os altos sentimentos de V. Exa.

Sem mais, deus guarde V. Exa.

Helena Pires

Pitanguy, 08 de setembro de 1931"

Fonte: CPOC - Fundação Getúlio Vargas (http://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=ARQ_GC_B&PagFis=8272&Pesq=)



Segundo afirma Maria da Conceição Teixeira, neta de Juca do Hotel,  quem estava envolvido com o jogo do bicho era seu avô paterno, Juca da Joaninha. Ainda segundo ela o tio Zé caixote nunca esteve envolvido com a contravenção. A falta de memória histórica na família de alguma prisão ou processo indica que muito provavelmente a denúncia de D. Helena não procedia, o jogo realmente existia na cidade mas os protagonistas eram outros e mesmo sendo contraventores não eram pessoas perigosas que pudessem representar algum perigo para a sociedade. Mal sabia a denunciante que a prática se tornaria comum no cotidiano brasileiro muito embora ainda seja considerado contravenção. Enquanto isso, uma folclórica e caprina figura pitanguiense vai dando aos cidadãos a oportunidade de fazer uma fezinha. Alguém tem um palpite aí?

Vandeir Santos 


domingo, 23 de abril de 2017

Vida hortelã

Fundo do quintal (imagem ilustrativa). Foto: Léo Morato


Por: Paulo Miranda.


Um provérbio bem comum pode dar boas variações. E por ene razões. Apesar dos senões.

Nossa horta no povoado do Brumado era bem pequenina - na proporção da casa, e do espaço do terreiro, já loteado para a plantação, o jardim, a criação, a circulação, e, naturalmente, as 'terras devolutas', que ficavam mais pro fundo do quintal e se disputavam por alguma plantação sazonal do milho, do quiabo, e do matagal, que, no período das chuvas - diferentemente das uvas - crescia pra diabo.

Pequenina, e frontal à porta da cozinha, não deixava contudo a hortinha de dar um trabalhão danado. Ou é só desculpa de moleque mal-criado?

É que as hortaliças eram muito delicadas, além das cobiças de que eram rodeadas: e as mais implacáveis eram as formigas. Quietinhas durante o dia, uma noite bastava, e tudo sumia. Uma praga que nem sempre com veneno se apagava. Ah, pagava!

E o sol, normal e mornalmente tão benfazejo, tinha também os seus caprichos, pois quando dava de esquentar, chegava a tudo esturricar. Chegamos a cobrir com um lençol (ou era virol?) umas mudinhas de alface, para lhes salvar ao menos o valor de face. Num era face!

Mas dava gosto também saborear-lhe as couves tenras, suculentas, arrancar-lhe uma cenoura - ainda daquele tempo de mais de meio século atrás em que além da cor, as plantinhas tinham aquele inescrutável sabor de algo natural...

E aquela vez em que a produção superou as expectativas e nos vimos todos juntos num fim de tarde a trançar alho... Pois é, dava trabalho, mas também dava alho. E pacaralho. Afinal, reproverbiando, Deus escreve perto por lindas hortas.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Pitanguienses em Brasília - making of

 Exibição no Cinema do Carlos. Foto: arquivo do blog.

Neste 21 de abril, quando a capital do país completa seus 57 anos de fundação, divulgamos imagens dos bastidores do documentário sobre os Pitanguienses em Brasília e os 300 anos lançado em maio de 2014, antecedendo o tricentenário de Pitangui em junho de 2015. Este "por trás das câmeras" reúne alguns registros da produção do documentário, das pessoas que participaram do projeto e das filmagens.

Sessão pitanguiense de cinema. Foto: arquivo do blog.

Numa abordagem irreverente o making of foi exibido na casa da Clélia Rachid Cançado, em Brasília, num encontro de Pitanguienses. Lembro-me que naquele dia o parceiro William Santiago, aos risos, satisfeito e surpreso, perguntou: - Uai, porque você colocou o Cabrito cantando a trilha sonora?  Respondi: - Uai, o Cabrito representa o velho e o novo, uma ponte entre gerações do passado e do presente, babaca! - Então tá certo! Exclamou o conterrâneo. Bom, quem já assistiu o documentário em Pitangui, no blog, ou no youtube e quem não assistiu, aperte o play e confira os bastidores.