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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

No tempo do trem

Nosso colaborador Vandeir Santos nos apresenta nesta postagem mais um artigo interessante e, que, com certeza gerará polêmica. Leia a matéria abaixo e tire suas conclusões. Quem conhecer os fatos descritos no artigo e tiver uma outra versão dos mesmos, o espaço estará aberto para que possamos aprofundar o entendimento sobre este assunto.




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Na segunda, 11/10, estava eu atrás de antigas minas nos matos do Brumado, mais precisamente nas terras da floricultura Água Branca, a esquerda da rodovia, logo após o trevo. Encontrei valas com evidências de terem sido cavadas, mas nada que representasse uma evidência muito objetiva do processo de exploração do ouro.
Após a pesquisa conversei com o proprietário do terreno, Sr. Norberto, pessoa que demonstra muito interesse com a história e com a cultura pitanguiense. O mesmo me relatou um fato muito interessante. Quando o trecho da linha férrea compreendido entre as estações de Azurita e Velho do Taipa estava para ser definitivamente desativado, com o processo de retirada dos trilhos, o mesmo procurou se informar se seria possível a preservação para fins turísticos de um pequeno trecho entre o Brumado e a estação de Água Suja (fundos do Chapadão). A Rede Ferroviária Federal se dispôs a colaborar, concedendo não só a autorização, mas fornecendo também uma Maria Fumaça e vagões, era a locomotiva 223 que se encontrava estacionada em Três Corações. Na época o Sr. Norberto era proprietário de uma padaria no centro de BH e conseguiu junto a importantes fornecedores como a Kibon, Souza Cruz e Fermento Fleischmann o patrocínio para viabilizar o projeto. Mas um pequeno detalhe veio a complicar o negócio, a RFF não poderia fazer a cessão do trecho e a doação dos equipamentos para um particular, somente poderia ser feito se fosse para uma entidade púbica como uma associação de bairro, associação de moradores ou a prefeitura. Desta forma o Sr. Norberto trouxe a Pitangui o Diretor de Transporte da RFF, Sr. Gentil José dos Santos para uma conversa com o prefeito. Tudo acertado, lavrou-se o Contrato de Permissão de Uso de Imóvel nº 376/SR-2/89 e marcou-se o dia para que o prefeito comparecesse à sede da Rede Ferroviária para as devidas assinaturas.


locomotiva 223, que foi reformada pela Imbel e, que se encontra hoje na cidade de Piquete - SP

Aí é que se repete pela enéssima vez aquilo que por décadas vem atravancando o progresso cultural e o resgate histórico de Pitangui, numa clara demonstração de descaso com a história da cidade e com o empenho de um cidadão em promover o retorno turístico de tão importante meio de transporte, o prefeito se omite, simplesmente não compareceu e nem ao menos deu satisfação. E assim ficou Pitangui, sem trem, sem graça, sem a maria que acabou não fazendo fumaça.
Vandeir Santos

4 comentários:

  1. Boa postagem Vandeir. Eu não conhecia esta história, mas faz muito sentido, pois neste estilo, eu já ouví vários relatos que teriam ocorrido em Pitangui.

    NICODEMOS

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  2. Obrigado Nicodemos. Pois é, temos que cobrar sempre do poder público um empenho cada vez maior na preservação e no resgate de nossos valores históricos.
    Vandeir

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  3. Ótimo texto, Vandeir!
    Esse descaso com nosso patrimônio histórico é estarrecedor.
    Se fosse em um país sério, estaria tudo tombado, preservado, com um museu aberto (lucrando com ingressos e vendas de lembrancinhas) e uma linha turística funcionando (também arrecadando um bom dinheiro).
    Mas, no Brasil...

    Abraços,
    João Luís V. Teixeira
    Membro do Clube Amantes da Ferrovia
    Membro da ONG Amigos do Trem
    Membro da ABPF/Regional PR

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  4. PARECE QUE ALGUNS PITANGUIENSES NÃO GOSTAM DA CIDADE ! TEM VERGONHA DE SER ! NÃO TENTAM NEM PRESERVAR OS IMÓVEIS, E MUITO MENOS AS ORIGENS..... POBRE CIDADE....

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