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terça-feira, 19 de outubro de 2010

O blog em Paracatu do Príncipe


Chafariz paracatuense construído em 1798.

No feriado do último dia 12, estivemos na cidade de Paracatu, situada no noroeste mineiro, para visitar um amigo da época da faculdade. Lá, apreciando uma cervejinha, ao som de boa música, na varanda de um belo casarão-bar colonial, ao lado a Igreja do Rosário, conhecemos o Zé do Galo. O Zé é Geógrafo e professor e com a "mineiridade" aguçada, nos deu uma aula sobre as origens daquela cidade, enfatizando sobre os dois caminhos (picadas) que ligavam a região centro-sul de Minas Gerais à Paracatu. Um desses caminhos foi aberto em Pitangui e o tema já foi postado aqui no blog, no dia 24/05/10 (Outros Fatos na Vila de Pitangui). O que nos chamou atenção foi a conservação do patrimônio cultural e consciência preservacionista, presente naquela cidade. Em homenagem a Paracatu, que completa hoje 212 anos, reproduzimos o texto citado acima. Para mais informações sobre a cidade acesse: http://www.paracatu.mg.gov.br/


A varanda.

Outros Fatos na Vila de Pitangui

A descoberta do ouro no fim do século VXII atraiu muitos exploradores e aventureiros de todas as partes para as Minas Gerais. “A região possivelmente, teria servido de esconderijo para militantes de um movimento anti-emboaba que se restabelecia no pós-guerra, em Pitangui (então reconhecida como Vila Turbulenta)”.


Museu histórico de Paracatu.

"Por aqui (Itapecerica) passou em 1737, a Bandeira do Cel. Matias Barbosa da Silva com suas quase 400 pessoas, entre sertanistas, exploradores, mineiros, batedores, oficiais, camaradas e escravos que abriram a Picada de Goiás”. Essas Picadas eram ramificações da Estrada Real, já que serviam de escoamento do ouro e para o trânsito de mercadorias e pessoas, entre o sertão e o litoral. A formação desta Bandeira – que durou três meses e abriu a Picada (caminho) de São João Del Rey até Paracatu – chegou célere aos ouvidos da Vila de Pitangui. Então, o sertanista Domingos de Brito tratou de arregimentar gente para abrir uma Picada entre Pitangui e Paracatu, para fazer um caminho mais rápido a Goiás.

A capela.

Na Bandeira vinda de São João Del Rey havia o desbravador Tomaz Teixeira (com grande habilidade de comunicação e conhecedor de dialetos indígenas). Por orientação de índios, Tomaz foi a Pitangui para adquirir alguns produtos e encomendar (como era de costume) uma imagem de são Francisco de Paula, padroeiro da paragem (pousada, rancho) do Itapecerica (que significa caminho de pedra na correnteza do rio). Na Vila, inteirou-se de notícias dos abridores da Picada Pitangui – Paracatu e devido as visitas constantes, fez boas amizades e conheceu o Capitão de Entradas Francisco de Araújo e Sá. Os dois formaram sociedade e tomaram posse de um grande território nas imediações da Itapecerica (1743), as terras não haviam sido registradas pelo chefe da Bandeira (Matias Barbosa) assinado misteriosamente em 1742.


Igreja Matriz.

Nesta época o movimento começou a diminuir na região, devido às ameças de índios e escravos fugidos e concentrados no Quilombo do Ambrósio (um grande lider negro, considerado um Rei por seus seguidores). O governo da Capitania agiu logo e estabeleceu uma entrada (em 1746) para dizimar os índios selvagens e os negros aquilombados.



Prédio da Câmara Municipal de Paracatu.

Tomaz Teixeira tratou de se articular com as autoridades de Pitangui, onde se respirava um ar de independência e brasilidade – herança da Guerra dos Emboadas - e conseguiu uma Portaria para o estabelecimento de um sítio para proteger os negros de maior valia e disposição (que eram os escravos libertos e prestavam bons serviços braçais). Em 1748, com o consentimento das autoridades religiosas erguia-se um orago (capela dedicada ao padroeiro) e um cruzeiro na paragem da Itapecerica. À época o capelão de Pitangui rezou a primeira missa no local.
Fotos e texto: Leonardo Morato.
Fonte de pesquisa: A Prova 7 – Origens. Câmara Municipal de Divinópolis, pág. 31. maio de 1998. 


Casarões Coloniais.

14 comentários:

  1. Com certeza o contato Pitangui/Paracatu no período da exploração do ouro foi intenso. Bela postagem, belo registro histórico !!!!

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  2. Valeu Dênio! Bela cidade, belos casarões! A receptividade que tive por lá me inspirou nesta postagem. Um abraço.

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  3. Léo,
    a postagem ficou muito bacana. é maravilhoso ver o patrimônio histórico preservado. Nosso amigo Sandro Neiva deve se orgulhar de Paracatu.

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  4. É verdade prof. a conservação do centro histórico de Paracatu é de se orgulhar mesmo! Quando tivermos novas informações sobre o contexto Pitangui-Paracatu, divulgarei as outras fotos. Abração.

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  5. Opa! é isso Leo! Paracatu estará sempre de braços abertos para o pessoal gente boa de nossa irmã Pitangui!
    Abraço.
    Sandro

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  6. Valeu Sandrinho! Da mesma forma. A Mostra foi adiada... mas ainda vai rolar. Abraço.

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  7. Sou de PARACATU, e eu amo esta cidade, e estamos de braços abertos para recebermos nossos irmãos de PITANGUI. abraço.

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  8. Boa Tarde, trabalho na Revista Ecológico e vamos fazer uma materia sobre recuperação de nascentes em Paracatu. Estou precisando de uma imagem bonita da cidade e gostei muito da foto "Casarões de Paracatu". Gostaria de saber se posso utiliza-la para ilustrar a matéria. Aguardo contato. Abraços Sanakan Firmino
    www.revistaecologico.com.br

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  9. Caro "anônimo" em apenas duas visitas a Paracatu, pude constatar a beleza dessa cidade! Pitangui também está de portas abertas pra ti! Um abraço.

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  10. Prezado Sanakan Firmino, fique a vontade para publicar a foto, nós do "Daqui de Pitangui" ficamos lisonjeados!. Se quiser, pode divulgar o link do blog. Como um bom mineiro (desconfiado) primeiro fui "folear" a sua revista virtual e conferi o alto nível da mesma. Também comungamos do lema: Sustentabilidade-Turismo-Cultura e Arte.
    Grande abraço.

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  11. Acho que não sou desse tempo. Algo chama minha atenção quando o assunto é antiguidade. Parabéns pelo trabalho. As fotos e textos são fantásticos.

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  12. Gratos pela visita, Jataí News! Volte sempre ao Daqui de Pitangui.

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  13. Das principais cidades históricas mineiras, Paracatu é a única que ainda não conheço. Depois de ler esta postagem aumentou ainda mais a vontade de conhecê-la. Vou criar ânimo para viajar os 767 Km entre Juiz de Fora e Paracatu no outono deste ano.
    Parabéns ao pessoal do blog pelo texto muito interessante, abrilhantado pelas belas fotos.

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  14. Seja bem vindo Sylvio! Vale a pena conhecer Paracatu, sua arquitetura, a gastronomia e a sua gente. Vou te passar (por e-mail) o contato de um amigo - Turismólogo - de lá. Um abraço.

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