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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Centenário do Dr. Antonio Malheiros Fiuza

A postagem de hoje é dedicada ao centenário do Dr. Antônio Malheiros Fiuza, que trabalhou com afinco para promover a melhoria dos serviços públicos e o desenvolvimento em Pitangui. O artigo abaixo nos foi enviado pela assessoria de Comunicação da "Sociedade dos Amigos de Pitangui" (SAP), presidida pelo Sr. Manuel Ricardo da Rocha Fiuza (filho do Dr. Antônio Fiuza). Desde já agradecemos o contato e nos colocamos à disposição desta reconhecida entidade.


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Aos 22 de Novembro de 1910 nascia Antonio Malheiros Fiuza em Ouro Preto, no solar de seu avô materno, o comendador Manoel Bento Malheiros, na rua Direita nº 46. Era filho do Dr. Sigefredo Pinto Fiuza e de Dª Christina de São José Malheiros Fiuza. Fez os seus primeiros estudos no tradicional estabelecimento de ensino, o Colégio Malheiros. Cursou o secundário no Ginásio Mineiro de Belo Horizonte, ingressando a seguir na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.
Ainda no primeiro ano de faculdade começou suas atividades na Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. Em 1932, quando fazia o 4º ano foi submetido e aprovado em concurso para Interno Residente no mesmo estabelecimento, ali permanecendo até sua formatura em 1934.
No ano seguinte transferiu-se para Pitangui para onde seu pai, Dr. Sigefredo, se trasladara e exercia o cargo de médico residente da Rede Mineira da Viação.

Além de dotado de primorosos conhecimentos de medicina, a sua atuação na Santa Casa deu-lhe um traquejo e olhar clínico pronunciado. Mesmo com a falta de recursos técnicos, laboratoriais e hospitalares da época, entregou-se por inteiro à clínica geral, chegando até a fazer cirurgias de emergência. Nesta ocasião, era Provedor da Santa Casa de Pitangui o Dr. Onofre Mendes Júnior, o qual solicitou ao Dr. Antonio Fiuza que lhe organizasse uma lista completa do material médico bem como da aparelhagem necessária para equipar o estabelecimento com todos os recursos da atualidade. O então jovem médico fez a relação, a qual foi apresentada ao benemérito Dr. Benjamin Guimarães que forneceu com generosidade tudo o que lhe fora solicitado.
Em 1936 contraiu núpcias com a jovem professora Maria de Lourdes Rocha, filha do Sr. Lacerdino de Lacerda Rocha e de Dª Lucy Álvares Rocha, ambos descendentes da ilustre matriarca mineira Dª Joaquina do Pompéu. Deste feliz matrimônio nasceram quinze filhos: Antonio Augusto, Sérvio Lúcio, Maria Christina, Manoel Ricardo, Maria Eugênia, José Maurílio, Maria Lúcia, Luiz Humberto, Morvan, Saulo, Maria Raquel, Pedro, Helton, Lourenço e Estêvão. Deixou 51 netos e 32 bisnetos.


Dr. Fiuza e família

Em Abril de 1939 assumiu como sucessor do Cel. Athayde Valadares, a Prefeitura Municipal de Pitangui, que na ocasião, tinha como distritos os hoje prósperos municípios de Nova Serrana, Papagaios, Maravilhas, Leandro Ferreira, Onça de Pitangui e Conceição do Pará. Os serviços eram então, e desde há muitos anos, assim organizados: Gabinete, Secretaria, Tesouraria, Estatística e Fiscalização. Foram estes reestruturados pelo jovem administrador. Passaram a ser constituídos pelo Gabinete do Prefeito, Secretaria, Serviço de Estatística, Serviço de Fazenda, Serviço de Contabilidade, Serviço de Patrimônio, Serviço de Obras, Serviço de Educação e Saúde. Criou os cargos de Almoxarife, Enfermeira e Guarda Sanitário. Implantou a Biblioteca Pública em 1941, que foi inaugurada com a presença Ministro da Educação, Dr. Gustavo Capanema , o qual dotou todo seu acervo e continuou por muitos anos a renovar a remessa de livros, enriquecendo as suas estantes.
Solicitou e obteve do Governo Estadual, que através da Secretaria da Viação e Obras Públicas, enviou os engenheiros Marins Freire que levantou a planta cadastral da cidade, e Romeu Dufles que executou um plano de urbanismo. Foi um período de muitas dificuldades devido à 2ª Grande Guerra Mundial. Havia racionamento de sal e de combustível até para os pouco automóveis existentes, tendo sido usado o precário gasogênio. O meio de transporte mais usado voltou a ser o carro de boi.
No dia 4 de novembro de 1943 fundou-se o Aero-Clube de Pitangui. A 5 de dezembro do mesmo ano aterrissou pela primeira vez em terras pitanguienses o avião “Francisco Campos”, de Dores do Indaiá em uma pista de emergência mandada construir pela Prefeitura no Campo do Chapadão. Neste local, há anos o Prefeito Jacinto Guimarães iniciara um serviço de terraplanagem, com idênticos propósitos e finalidades. A seguir, com o apoio técnico da Secretaria de Viação, foi construído um bom campo de pouso em Pitangui.
Apesar de suas múltiplas ocupações com a administração municipal; manteve o atendimento à sua enorme clientela e a assistência médica aos necessitados e desprovidos de recursos. Além do consultório em sua residência à rua Floriano Peixoto, 62, acudia a Santa Casa e dispensava especial cuidado aos pobres leprosos que residiam no bairro do Jatobá. Socorria aos doentes da região rural em viagens feitas a cavalo(as mais próximas) ou no lombo do burro(as mais distantes) sob o sol causticante ou sob chuva, a qualquer hora do dia ou da noite.
Em 10 de janeiro de 1945, ao deixar a Prefeitura, na apresentação do balanço de sua administração ao Governador Benedito Valadares, assim se exprime: “Reconhecemos que não fôra o apoio incessante e firme do governo de V.Excia. e da ordeira e culta população de Pitangui, a nossa tarefa teria sido nula e vãos os nossos esforços. Abstração feita do auxílio inestimável dos nossos auxiliares, muito especialmente do Secretário da Prefeitura Sr. Anthero Rocha, dos amigos particulares e do povo em geral, é de Justiça frisar este ponto, a cooperação valiosa das classes conservadoras e rurais em apoio à nossa política administrativa, muito especialmente na fase de coordenação econômica a que fomos levados forçosamente pelas circunstâncias excepcionais do momento.”
“Felizmente, administramos num meio que bem sabe discernir as intenções e, como somos dos que admitem a Justiça como Realidade e não como Teoria, sentimo-nos muito à vontade e satisfeitos ao recolocarmos nas amigas mãos de V.Excia. a direção deste histórico núcleo de Minas Gerais”.
Em Junho de 1945, transferiu-se com sua família para Belo Horizonte, onde adquiriu a casa que fora de seu avô, o Comendador Malheiros, à rua Aimorés,656, no bairro dos Funcionários, onde residiu até a data de seu falecimento. Na Capital, especializou-se em Pediatria, tendo sempre o seu consultório vizinho ao de seu colega de turma, cunhado e inseparável amigo Dr. Henrique Machado Horta. Tinha em grande estima o seu tio e médico pioneiro de Dores do Indaiá, o Dr. Edgar Pinto Fiuza, bem como aos dois primos, o Dr. Geraldo Malheiros dos Santos, o primeiro patologista clínico da Santa Casa, e o Dr. José Malheiros dos Santos, um dos mais conceituados pesquisadores no campo da parasitologia e microbiologia na sua época. Em 1946 voltou a atender no setor pediátrico da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, sob a chefia de seu grande amigo e eminente mestre em Pediatria o Dr. Navantino Alves. Passou por importantes cargos na administração pública na área de saúde, exerceu a direção clínica do Asilo Afonso Pena, hoje IGAP – Instituto de Geriatria Afonso Pena; foi chefe do Departamento Estadual da Criança da Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais. Atuou com competência e carinho na Santa Casinha e no Hospital da Criança Elvira Gomes Nogueira.
Dedicou-se por longos anos ao atendimento médico escolar nos grupos escolares Pedro II, Afonso Pena, Delfim Moreira e ao setor de pediatria da Maternidade Odete Valadares.
Foi um dos sócios fundadores da Sociedade Mineira de Pediatria, cuja posse da primeira diretoria foi no dia 28 de fevereiro de 1948, no Instituto de Educação, juntamente com o Departamento Nacional da Criança. Os primeiros diretores foram os médicos Berardo Nunan, Armando Achiles Tenuta, Abrahão Salomão, Antonio Malheiros Fiuza, Benjamin Nicolau, Célio Marques Scotti, Fausto Gomes Baptista, Elpídio Marinho de Almeida, Alcindo Armando Henriques, Paulo Roxo da Motta, João de Freitas Filho, Augusto Severo da Costa, João Afonso Moreira, Fernando Magalhães Gomes, Agostinho de Carvalho Fernandes e Maria Helena Jardim.
No dia 8 de setembro de 1968, na solenidade de abertura do VII Curso de Atualização em Pediatria, patrocinado pela Nestlé, o Dr. Antonio Malheiros Fiuza, juntamente com os demais fundadores, recebeu o título de Sócio Benemérito da Sociedade Mineira de Pediatria.
A convite do Prof. Navantino Alves exerceu por muitos anos o magistério na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais como professor de Pediatria e Puericultura.
Em 26 de fevereiro de 1967 recebeu o diploma de Irmão Benemérito da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.
Em 8 de junho de 1999 recebeu da Associação Médica Brasileira o certificado de Sócio Jubilado.
Em 25 de Novembro do mesmo ano é agraciado com o Diploma de Mérito Médico pela Academia Mineira de Medicina.
Em sua longa e fecunda trajetória de vida, tanto no campo familiar como profissional, foi um insigne e devotado apóstolo da medicina. Sempre cumpridor de seus deveres, dele nunca se ouvia uma queixa de cansaço ou reclamação por estar sendo procurado em hora inoportuna. Além de sua clientela externa, atendia gentilmente a toda a sua numerosa parentela, desde tios avós, sogros, irmãos, cunhados, primos, genros, noras, netos e bisnetos. Em Belo Horizonte continuou a atender e encaminhar os casos que lhe vinham de Pitangui e do interior. Nas férias em que destinava alguns dias para revisitar a sua cara Pitangui, reservava um dia todo para atender à pobreza e a tantos outros que esperavam ansiosos a oportunidade de serem examinados e remediados pelo seu antigo médico. Formavam-se filas enormes, composta de crianças até idosos, onde se percebia de maneira comovedora um clima de esperança no aguardo do atendimento do Dr. Antonio, sempre eficaz e bondoso.
Numa reportagem ao “Santa Casa Notícias”, em maio de 1998, na página “O médico, nosso amigo”, o Dr. Fiuza relatou com entusiasmo a sua vida profissional e disse que a Santa Casa era a sua segunda família :”Venho com alegria atender aos pequenos pacientes e acredito ser uma força divina que me sustenta para dar conta das atividades. Fico feliz por poder seguir tratando das crianças”. Demonstrando disposição de continuar, revelou que não se sentia exaurido: “Não quero me cansar. Tenho pacientes hoje que são netos daqueles que foram meus pacientes no início de minha carreira. Isto me deixa cheio de satisfação”. Externando a sua religiosidade, disse: “Sou católico fervoroso, acredito que Deus dá a cada um de nós uma missão para cumprir e para mim a melhor maneira de adquirir mais força é cantar aquela música sacra: segura na mão de Deus e vai”. Ali “exerceu a medicina até mais de 90 anos, sendo então o mais idoso dos médicos em atividade na instituição.” Em reconhecimento à sua dedicação à Santa Casa, um de seus departamentos leva o nome de “Ambulatório Dr. Antonio Malheiros Fiuza”.
Entregou sua bela alma a Deus no dia 28 de janeiro de 2003, aos 93 anos de idade. Ainda lhe sobrevivem três irmãs: as professoras Alvarina Malheiros Fiuza, Enide Fiuza Magalhães e Edine Fiuza Costa.
Em sua homenagem existe hoje em Pitangui um belo e bem cuidado logradouro público: a Praça Antonio Fiuza.

3 comentários:

  1. É sempre um prazer renovado passar por aqui e ver o blog: daquidepitangui, homenageando os filhos de Pitangui ou pessoas que contribuiram para o crescimento da cidade. Este contar e recontar é um modo de preservar a história e repassar as novas gerações. Merecida homenagem.
    Um abraço a todos,
    Dalinha Catunda (de volta ao mundo virtual)

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  2. Oi Dalinha,
    estávamos sentindo a sua falta. É bom tê-la de volta.
    Como você bem sabe noso compromisso é com o resgate da memória pitanguiense e essa postagem é uma justa homenagem a um cidadão que abraçou Pitangui e dedicou parte de sua vida a ela.
    Abração.

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  3. Pois este excelente texto
    que bem reaviva a memória
    torna-se belo pretexto
    para marcar nossa história

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