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domingo, 30 de maio de 2010

Pitanguienses mundo afora


William Santiago (Foto: acervo pessoal).

Felicitamos pelo aniversário, um grande conterrâneo nosso que há tempos alçou vôos por outros ares, mas nunca esquece da terrinha. Neste tópico “Pitanguienses mundo afora” criado pelo parceiro Dênio Caldas - para estreitar os laços com os pitanguienses ausentes - falamos sobre o William Santiago que completa hoje 60 outonos. Fundador do Pitaculta e do Jornal Correio de Pitanguy, (ambos na década de 80), atualmente o William mora em Encarnación (Paraguai) e tem uma história de vida muito interessante, ninguém melhor do que ele mesmo para contá-la:


Centro Social de Pitangui, 2002. Dênio, William, Ricardo e Léo.

“Nasci em Pitangui, em 30/05/50, onde vivi até os 19 anos. Meu nome completo é William Jaques Pereira Santiago. Joguei pelo time do Zé Emídio, pelo CAP e terminei minha “carreira” no PEC. De Pitangui, fui estudar Letras/Português na antiga FAFI-UFMG, na Rua Carangola, em Beagá, de 1969 a 1972. Fiz também, paralelamente, no ano de 1972, Licenciatura Curta de Inglês. Com esse último diploma, comecei a trabalhar como professor no Bairro Alípio de Mello, na Escola Polivalente da Ressaca. Sempre quis viajar pelo mundo e estava atento aos concursos do Itamaraty.


Encarnación, Paraguai - Ruinas das Missões Jesuíticas (séc. XVII).

Em 73 fiz concurso em Brasília para Oficial de Chancelaria, passei em 4° lugar no Brasil inteiro. Em 1975 fui trabalhar na Embaixada do Brasil em Jeddah, Arábia Saudita. Dois anos no meio do deserto e, por minha solicitação, me transferiram para a Embaixada do Brasil em Copenhague, Dinamarca, onde fiquei de 1977 a 1980. Morrendo de saudade de todo mundo, voltei para Brasília, onde também fiz concurso para professor da extinta Fundação Educacional do Distrito Federal e, em 1982, pedi exoneração do Itamaraty. Eu já tinha um projeto na cabeça: voltar para Pitangui e trabalhar em Comunicação. Para isso, estava estudando Jornalismo na UnB (Universidade de Brasília), onde me formei em 1985. Nesse ano, pedi licença da Fundação Educacional e me mudei pra Pitangui.


Encarnación, Paraguai - Ruinas das Missões Jesuíticas (séc. XVII).

Fui trabalhar no jornal Destaque, de Conceição do Pará, de propriedade do empresário Edivan Reis. Em 1986, depois do grande show de vôo livre do 21 de abril, organizado pela Empresa Destaque, o Edivan fechou o jornal (devido a contra tempos) e parou todos os projetos que tinha para a região. Entre eles, estavam os que me incluíam: uma rádio e uma emissora de televisão. Continuei na editora Destaque. Mas sem vislumbrar futuro na empresa, comecei a trabalhar de professor universitário em Pará de Minas e preparando, paralelamente, o lançamento do jornal Correio de Pitanguy, cujo capital inicial era o cheque especial do antigo Banco Nacional. Talvez o jornal foi o que mais me tenha marcado em Pitangui. Foi uma experiência fantástica. Era como ver o Brasil em pequena escala. Pude assistir de camarote todo o jogo do poder.


O por do sol de Encarnación.

Em 1991, fui convidado para ser Secretário de Educação e Cultura, mas fiquei pouco tempo, porque a estrutura e condições de trabalho não eram suficientes. Passei a buscar outros horizontes. Vendi o jornal e comecei na TV Integração, em Pará de Minas e continuava dando aulas na Faculdade e no CCAA. Mas a vontade de viajar pelo mundo outra vez começou a dar cócegas e veio outro concurso do Itamaraty. Passei outra vez entre os primeiros e logo fui chamado. Voltei ao Itamaraty em 22/04/1994. Daí para cá, viajei outra vez para muitos lugares, mas morar mesmo, só no Paraguai. Primeiro em Ciudad del Este, em 1°/11/1999, até 14/06/2005. Depois, vim para Encarnación (a 3ª cidade do país e a capital do carnaval paraguaio), onde ainda estou e onde penso estabelecer residência quando me aposentar. E, em junho, de repente, estarei em Pitangui. Um grande abraço, William".

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Açucar Amargo - Lucas Mendes

O colunista pitanguiense da BBC Brasil, Lucas Mendes, comenta livro de autora americana que conta momentos amargos da história do açúcar. A matéria é do dia 29 de abril de 2010 e cita Pitangui. Vale a pena conferir o texto.

A rainha da Inglaterra Elizabeth I, uma das mais poderosas de toda história, tinha uma fraqueza: açúcar. Aos 60 anos ainda estava bonita e sexy, mas jamais sorria nem quando posava para pintores porque os dentes que restavam estavam pretos.
Comparado com outras maldades do açúcar, a dentadura da Elizabeth é uma tragédia menor. Entre africanos e índios das Américas Central e do Sul, o açúcar matou milhões e escravizou gerações. Dos seis milhões de escravos que vieram da África, metade foi trabalhar nas plantações de cana de açúcar. Nenhuma outra planta destruiu e envenenou o planeta como a cana-de-açúcar.
Com Elizabeth Abbott, escritora e jornalista canadense, aprendemos também que a primeira residência do açúcar foi na Polinésia, mas há referências sobre as suas propriedades afrodisíacas na China, cinco séculos antes de Cristo e as propriedades espirituais no ano 325 em cânticos indianos. As histórias estão em Sugar: A Bitter History.
A paixão da nobreza europeia pelo açúcar só começa no século 16. O refinado branco era aristocrata, custava uma fortuna, foi usado e abusado nas cortes. No palácio de Mary, da Hungria, regente da Holanda, mesas de doces e confeites desciam do teto em orgias gastronômicas acompanhadas de shows de luzes e trovões.
Quando a portuguesa Maria de Aviz saiu para casar com o Duque de Parma, uma das centenas de esculturas de açúcar na estrada era do próprio duque em tamanho natural. Bem menor, é claro, do que as esculturas da baleia e das serpentes marinhas. No casamento, as velas eram de açúcar.
Quando Elizabeth Abbott foi à ilha de Antígua em busca da história da família, a escritora não pensava em escrever um livro sobre açúcar. Estava atraída pelo fantasma da avó dela, Mary Abbott, com sua camisola azul, um dos mitos mais populares da ilha. A escritora nunca viu a caminhada da avó pelos jardins, mas, na pesquisa, foi encantada pelas conexões dos ancestrais, plantadores de cana-de-açúcar.
Nas 452 páginas do livro, Elizabeth Abbot se concentra nas ilhas inglesas do Caribe, mas há pouco sobre o Brasil, maior produtor e consumidor de açúcar do mundo. A Índia, o distante segundão, também merece pouco destaque.
Nosso açúcar, naquela época, era considerado inferior. Os melhores eram de Barbados e da Jamaica.
A tragédia da rainha escrava Teresa, é muito mais trágica do que a da dentadura de Elizabeth. Colocava a cana nos moedores. Um dia, exausta, cochilou, e a mão direita foi decepada pela máquina. Na tentativa de salvar a direita, Teresa, enfiou a mão esquerda. Perdeu as duas.
Nas plantações brasileiras o capataz sempre tinha por perto um facão afiado para este tipo de emergência. Rápido, cortava a parte do braço para evitar que o escravo morresse, explica Abbott, mas não esclarece porque valia a pena salvar a vida de alguém que daí por diante seria inútil na plantação.


Nossa brutalidade com as escravas merece poucos parágrafos. São histórias que eu ouvia em Minas sobre a dona da fazenda enciumada que mata e serve os olhos da escrava, no molho de sangue, ao marido traidor. Lá, na minha Pitangui, a fazendeira malvada era a Maria Tangará.


A promiscuidade entre patrões e escravas do Caribe merece mais páginas do que a brasileira, e no caldeirão final o Brasil aparece como um país que ofende o meio ambiente. Cuba é um modelo de proteção da mata.
O açúcar acaba de ter a maior queda de preço no mercado nos últimos trinta anos. A produção brasileira de 2010 é recordista, com um aumento de 19% sobre a de 2009, mas a tonelada vale 47% menos do que no ano passado. Um desastre.
E há outro pela frente. O governo americano terá de decidir em breve se mantém o subsídio do etanol produzido nos Estados Unidos com milho, muito mais caro do que o da cana de açúcar.
O álcool brasileiro é barrado aqui graças a um brutal imposto de 54 centavos por galão importado.
A organização dos produtores de etanol americano vai investir US$ 2,5 milhões nos próximos seis meses numa campanha para defender os subsídios.
A UNICA, que representa os produtores brasileiros, vai gastar dez vezes menos para tentar convencer os americanos que nosso álcool/etanol é mais barato, eficiente e menos poluidor.
Numa história amarga, esta seria a mais doce das vitórias para os produtores, mas há uma campanha muito maior contra o açúcar nos alimentos americanos, responsável pela obesidade e pelo diabetes.

A indicação do texto nos foi feita por Carlos Pereira Júnior, Carlinho da Fabiana. Desde já agradecemos a indicação e sempre que puder nos envie passagens pitanguienses interessantes como esta. Valeu primo !!!!

Fonte :

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/04/100429_lucasmendes_tp.shtml

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O Rio Pará


O rio Pará. Fotos: Léo Morato.
Destaque para as pilastras que sustentavam o pontilhão de ferro, com os trilhos do trem que passava sobre o rio.

Apresentamos hoje algumas peculiaridades do nosso Rio Pará, cuja preservação é dever de todos nós pitanguienses, ribeirinhos e visitantes. Uma dica para apreciar o Pará, na região de Pitangui (Velho do Taipa), é degustando o tradicional peixe frito, nos bares a beira rio, acompanhado de um limão galego, uma cerveja gelada e ouvindo os "causos" de pescadores.



O Rio Pará foi descoberto e nomeado pelos sertanistas que primeiro chegaram a Pitangui, no final do século XVII. Inicialmente chamava-se pitang-y rio das crianças sozinhas (abandonadas). Conta a lenda que um grupo de mães índias estava a beira deste rio e foram surpreendidas pela chegada dos exploradores embrenhados no sertão. Assustadas, elas deixaram as suas crianças para trás e desapareceram no mato.
Às proximidades, floresceu a colonial Vila de Pitangui, famoso centro urbando do século XVIII, patrimônio histórico estadual (possui o Centro Histórico tombado) e berço dos primeiros filhos de Minas. Com o crescimento e desenvolvimento da região, o rio Pitangui era identificado como o maior, o mais caudaloso e o mais longo, que na lingua geral da época era chamado Pará. Foi em meados do século XVIII, que essa denominação tornou-se oficial pois, em todos os documentos e escrituras passaram a adotá-la, por influência dos fazendeiros.



O Pará é afluente do Rio São Francisco, nasce próximo a Desterro de Entre Rios, na serra das Talhadas e vai recolhendo águas de inúmeros córregos e rios. Seus afluentes principais são: o rio do Peixe (Piracema), antes de formar a represa de Cajuru (Carmo do Cajuru) e do Gafanhoto (Divinópolis); um pouco abaixo, recebe águas do Itapecerica (Divinópolis), do Peixe (Pequi), do São João (Conceição do Pará), do Lambari (Alberto Isacsson) e do Picão (Martinho Campos), antes de desembocar próximo à represa de Três Marias, no município de Pompéu).
Por não cortar nenhuma cidade em seu percurso regional, é um dos poucos rios cujas águas ainda estão razoavelmente limpas.
A Bacia Hidrográfica do Pará tem 12.300 Km², abrangendo 35 municípios, 27 dos quais localizados na área de drenagem. A população desses municípios é de 510 mil habitantes (dados de 1998).

Fonte de pesquisa: A Prova 7 – Origens. Câmara Municipal de Divinópolis, pág. 31. maio de 1998.
Para informações sobre a origem do nome Pitangui, acesse o Marcador abaixo ou no menu à direita da página.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Jogo de futebol beneficente na década de 1960

O nosso amigo e colaborador Vandeir Santos nos enviou uma foto dos arquivos de sua família sobre uma partida de futebol realizada na década de 1960. Junto com a foto postarei o texto escrito pelo Vandeir sobre. É interessante observar que chovia no dia da partida, mas o público compareceu em bom número para prestigiar o evento beneficiente.


"Senhores,

segue no anexo foto de um jogo beneficente que ocorreu em Pitangui no início da década de 60, onde os magros enfrentaram os gordos que estão na foto. A finalidade do jogo era arrecadar dinheiro para o natal dos pobres. O meu pai (José Alves de Campos Filho - Santinho), é o 3º que está de pé da esquerda para a direita e que pela primeira vez na vida usava um short. Segundo minha mãe ela percorreu todas as lojas de Pitangui e só conseguiu comprar um short que serviu somente debaixo da barriga.
Com seus 81 anos minha mãe já não se lembra mais da escalação e nem do resultado do jogo, mas disse existir um tal Padre Carlos neste time. O pai do Dênio é que vai gostar desta foto.

Um abraço,

Vandeir"



Se alguém reconhecer os "atletas" presentes nesta foto e quiser colaborar com o blog é só deixar um comentário nesta postagem. Também não sabemos ao certo em que ano aconteceu a partida de futebol. Todas as informações a respeito deste evento ajudarão a compor esta postagem.

A primeira colaboração para desvendar a escalação do time acima chegou via William Santigo, que nos deu informações importantes. Com estas informações daremos prosseguimento à construção coletiva desta postagem. Fica aqui nosso agradecimento ao William Santigo pela colaboração.

Mais uma valiosa ajuda nos chega através do Verinho, que resgatou da memória a escalação completa deste escrete. Confira a escalação completa e aproveite para beber uma breja gelada no Bar do Verinho, e claro, trocar um dedo de prosa.

Em pé, da esquerda para a direita:

1º - Bimba

2º - Paulo Teixeira

3º - José Alves de Campos Filho (Santinho)

4º - Homero Valadares

5º - Marco Antônio Gonzaga

6º - José Maria Valadares

7º - Dr. Luizão

Agachados, da esquerda para a direita:

1º - Zé Vinícius

2º - Zé Carlos

3º - Padre Carlos

4º - Edson Carvalho (Rebolo)

5º - Vinícius José

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Outros fatos na Vila de Pitangui




O texto de hoje é embasado no livro A Prova 7 – Origens, publicado pela Câmara Municipal de Divinópolis-MG, em maio de 1998. A obra trata das origens históricas de Itapecerica e revela alguns fatos ocorridos em Pitangui, no século XVIII, destacando a sua representatividade para a região.
A descoberta do ouro no fim do século VXII atraiu muitos exploradores e aventureiros de todas as partes para as Minas Gerais. “A região possivelmente, teria servido de esconderijo para militantes de um movimento anti-emboaba que se restabelecia no pós-guerra, em Pitangui (então reconhecida como Vila Turbulenta)”.
"Por aqui (Itapecerica) passou em 1737, a Bandeira do Cel. Matias Barbosa da Silva com suas quase 400 pessoas, entre sertanistas, exploradores, mineiros, batedores, oficiais, camaradas e escravos que abriram a Picada de Goiás”. Essas Picadas eram ramificações da Estrada Real, já que serviam de escoamento do ouro e para o trânsito de mercadorias e pessoas, entre o sertão e o litoral.
A formação desta Bandeira – que durou três meses e abriu a Picada (caminho) de São João Del Rey até Paracatu – chegou célere aos ouvidos da Vila de Pitangui. Então, o sertanista Domingos de Brito tratou de arregimentar gente para abrir uma Picada entre Pitangui e Paracatu, para fazer um caminho mais rápido a Goiás.

O típico Bandeirante no séc. XVIII.
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Na Bandeira vinda de São João Del Rey havia o desbravador Tomaz Teixeira (com grande habilidade de comunicação e conhecedor de dialetos indígenas). Por orientação de índios, Tomaz foi a Pitangui para adquirir alguns produtos e encomendar (como era de costume) uma imagem de são Francisco de Paula, padroeiro da paragem (pousada, rancho) do Itapecerica (que significa caminho de pedra na correnteza do rio). Na Vila, inteirou-se de notícias dos abridores da Picada Pitangui – Paracatu e devido as visitas constantes, fez boas amizades e conheceu o Capitão de Entradas Francisco de Araújo e Sá. Os dois formaram sociedade e tomaram posse de um grande território nas imediações da Itapecerica (1743), as terras não haviam sido registradas pelo chefe da Bandeira (Matias Barbosa) assinado misteriosamente em 1742.
Nesta época o movimento começou a diminuir na região, devido às ameças de índios e escravos fugidos e concentrados no Quilombo do Ambrósio (um grande lider negro, considerado um Rei por seus seguidores). O governo da Capitania agiu logo e estabeleceu uma entrada (em 1746) para dizimar os índios selvagens e os negros aquilombados.
Tomaz Teixeira tratou de se articular com as autoridades de Pitangui, onde se respirava um ar de independência e brasilidade – herança da Guerra dos Emboadas - e conseguiu uma Portaria para o estabelecimento de um sítio para proteger os negros de maior valia e disposição (que eram os escravos libertos e prestavam bons serviços braçais). Em 1748, com o consentimento das autoridades religiosas erguia-se um orago (capela dedicada ao padroeiro) e um cruzeiro na paragem da Itapecerica. À época o capelão de Pitangui rezou a primeira missa no local.



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Cada região tem sempre dois ou mais municípios responsáveis por sua configuração territorial. Seus desmembramentos formam a malha da divisão político-administrativa regional. No Centro-Oeste destacam-se Pitangui e Itapecerica. O município de Itapecerica, criado em 1789, se desdobra em Formiga, Campo Belo, Divinópolis, Camacho, Pedra do Indaiá e São Sebastião do Oeste. Pitangui., instalado em 1715, se desdobra em Pará de Minas, Dores do Indaiá, Martinho Campos, Pompeu, Maravilhas, Nova Serrana, Papagaios, Conceição do Pará, Leandro Ferreira, entre outras”. Fonte:www.asminasgerais.com.br

domingo, 23 de maio de 2010

Pitanguienses mundo afora

Na seção de hoje dos "Pitanguienses mundo afora", focalizamos Eduardo Caldas, Dú para os íntimos !!! O Dú é casado com a Renata e estão à esperava da Eduarda, primogênita da família !!!! Moram em Lowell, Massachusetts nos Estados Unidos, há mais ou menos dez anos. Precisou de alguma compra na América, faça contato com ele pelo email - ducaldas@gmail.com
Com o sobrinho
Com a família e os amigos
Com Renata, esposa

Na Time Square



Bentido é o fruto !!! Esposa, irmã e mãe

Na família, todo mundo começa cedo !!!!

Em ação

Gostaríamos de parabenizá-los pela chegada da Eduarda. Que ela venha com muita LUZ, PAZ E ALEGRIA !!! Fica aqui o nosso abraço ao Dú e os votos de boa sorte nA caminhada.

sábado, 22 de maio de 2010

Posto do Sô Manel Manduca

Recebemos uma pérola do Sr. Luiz de Vasconcelos e fazemos questão que ele mesmo narre-a :




Eis aí uma foto (talvez de 1945) do antigo posto de gasolina ESSO do sô Manel do Manduca (meu pai, para os menos avisados). A foto foi tirada do barranco no fundo do quintal da casa onde nasci. Rua Martinho Campos, 81, Pitangui, MG. O posto Esso é a casinha vista no meio da lateral esquerda, com a frente voltada para a rua Cel. José Saldanha (descida). Dá para ver um pedaço da bomba de gasolina dentro do "drive-thru" (bem moderninho para a época...)
Minha lembrança já é de um posto com mais construções em seu redor. Infelizmente não possuo uma foto de frente. A construção tinha 2 arcos. No primeiro, à esquerda (visto pela frente), ficava a bomba de gasolina. O outro era fechado por uma jardineira onde as pessoas assentavam todas as tardes para "bater um papo"... especialmente os homens mais velhos.
No local do antigo posto hoje se encontra a Cia Telefônica Brasil Central CTBC.
Bons tempos!!! QUANTA SAUDADE!!!!!!!!!

Na descrição da foto, feita pelo Sr. Luiz, nota-se que ele também é um pitanguiense apaixonado !!! Agradecemos o envio da fotografia e o informamos que o Verinho o mandou agradecimentos também. Sempre que puder, nos envie mais preciosidades destas.

Outro Olhar

Foto enviada por Cláudio Faria


"Foto da Rua do Pilar. À direita, o casarão dos Campos.

À esquerda, onde é hoje a Casa Lacerda. Ao fundo, o fundo do Edifício Liliza."

(Dênio Caldas)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Encontro de Carros Antigos em Poços de Caldas


Nossa postagem sobre o "1º Encontro de Carros Antigos de Pitangui" já gerou bons frutos. Recebemos a cordial visita do Juliano Rosa , de Poços de Caldas, que deixou um comentário muito bacana sobre o evento do dia 15/05, se colocando aberto para a troca de ideias sobre eventos desta natureza.
Ele também é um amante dos carros antigos, diretor do "Clube do Fusca" de Poços de Caldas, e nos enviou um material de divulgação de um evento que todo amante dos carros antigos deve prestigiar. Trata-se do "Poços Classic Car", que acontecerá nos dias 26 e 27 de junho, em Poços de Caldas. Juliano convida a turma dos carros antigos de Pitangui para comparecerem.
Saiba mais detalhes sobre este evento acessando o site oficial atraves do link abaixo:

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O incêndio na Matriz em 1914



Antiga Igreja Matriz de Pitangui destruída por um incêndio em 1914

Em seu livro de memórias, "Figuras e Fatos de Meu Tempo" (1964), o pitanguiense Joaquim Patrício resgata da memória o incêndio que destruiu a Igreja Matriz em 1914. Sua narrativa nos mostra como os habitantes de Pitangui do início do século XX sentiram a perda deste templo erguido no período colonial. Abaixo, reproduzimos um trecho do livro de Joaquim Patrício relatando este acontecimento.




"1914 - Mal o sol desapareceu no alto do Lavrado, os sinos começaram a tocar doidamente, em sinal de alarme, convocando toda a cidade.
É que a matriz, a velha matriz, tão bonita, com seus dourados e seu tesouro de arte, estava pegando fogo!
Foi a maior tragédia que houve em Pitangui!!!
Em pouco tempo tudo estava destruído e da velha igreja só restavam as formidáveis paredes de pedra, resistentes à ação do fogo.
Não se procurou apurar a causa do incêndio. A autoridade eclesiástica mandou ao vigário um sentido telegrama, sem dúvida muito sincero. A polícia não tomou conhecimento do fato. Nem se abriu o inquérito da praxe! Ninguém ignora que tudo derivou da irresponsabilidade do sacristão, que além de ser uma criança, era mentalmente retardado. Foi êle (sic) quem deixou sôbre (sic) um caixão de paramentos, guardado atrás do altar-mor, uma vela acesa, que se consumiu, propagando-se as chamas ao altar e assim à igreja inteira.
As chaves da matriz ficavam em mãos de uma frenastênica, tireoidiana até a imbecilidade, que se chamava Fausta, e morava nas Cavalhadas.
Informada de que a igreja se tinha queimado, teve um sorriso de incredibilidade, pois, estando as chaves em seu poder, não podia ela admitir o incêndio da matriz.
Não houvesse o Gomides, que sempre foi o sacristão do Padre Américo, se transferido para Abadia e talvez ainda hoje esivêssemos rezando as nossas orações no velho teplo, tão bonito, nas suas talhas, nos seus dourados...
Construiu-se nova e imponente igreja no mesmo local da outra, mas a que se queimou, com a grandiosa imagem da padroeira, estava mais no nosso coração. (...)"



Fonte: PATRÍCIO, Joaquim. Figuras e Fatos de meu tempo "contribuição ao estudo da vida social e política de Pitangui no primeiro quartel deste século". Belo Horizonte: Ed. Bernardo Álvares,1964.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Outro Olhar


Foto: Juliana Alves Lopes


A imponência da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar!!!

No próximo dia 9 de junho, Pitangui completa 295 anos. Registre o seu olhar , a sua admiração e a sua "fulia" pela cidade!!! Fotografe Pitangui (seus casarões, suas paisagens, as manifestações populares) e compartilhe os seus clics aqui no blog. Quem sabe rola até uma exposição de fotos?!?!?!? E-mail: daquidepitangui@gmail.com

terça-feira, 18 de maio de 2010

Foto & Memória

Mais uma foto enviada por Cláudio Faria. Não sabemos se esta foto retrata as comemorações da Semana Santa ou do Carnaval.
A dúvida sobre esta foto foi esclarecida. Nossa amiga e colaboradora, Edilma Aguiar, nos mandou um e-mail a respeito da foto, que reproduzo em parte abaixo:
"...essa referida foto foi tirada na rua Major Bahia, em frente à casa do Levy Mourão. O que vemos à esquerda dela era a fachada antiga da Fábrica de tecidos (na época ainda CTP - Companhia de Tecidos Pitanguiense)."

Mais uma vez, muito obrigado Edilma, pela providencial ajuda. Está foto, com certeza, perteceu ao acervo de seu pai, um dos mentores do evento retratado na foto: "A Queima do Judas" durante a Semana Santa.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Galinhada Mineira

Com a chegada do frio, nada melhor do que uma típica galinhada mineira, nossa dica gastronômica deste mês.
Bom apetite!
INGREDIENTES
  • 1 galinha caipira partida em pedaços
  • 6 xícaras (cafè) de arroz
  • 2 cebolas raladas
  • tempero a gosto
  • 1 fio de óleo para refogar os ingredientes
  • 2 copos americanos de água
  • 1 tablete de caldo de galinha
  • água fervida, o suficiente para cobrir a galinha na panela

COMO PREPARAR

Em uma panela pôr óleo para refogar a cebola e deixar dourar, em seguida coloque a galinha e o tablete de caldo de galinha. Pôr água o sufiviente para cobrir a galinha na panela. Deixe cozinhar até que a carne comece a se soltar dos ossos. Adicione o arroz e deixe a água secar

domingo, 16 de maio de 2010

1º Encontro de Carros Antigos de Pitangui

Valeu Wandemberg, obrigado pelo presente

Na tarde de sábado,15, aconteceu um evento muito bacana em Pitangui e que pouca gente ficou sabendo. Um grupo de aficionados por automóveis antigos promoveu o "1º Encontro de Carros Antigos de Pitangui" na praça Governador Benedito Valadares, centro da cidade.

Fernando, Pedro e Wandemberg: amantes dos carros antigos
Aprofunde seus conhecimentos sobre carros antigos brasileiros clicando sobre a imagem abaixo.


O velho e bom Fusca não poderia deixar de comparecer a este encontro


Os organizadores do evento


O encontro aconteceu por iniciativa de Fernando Luiz Peixoto Lacerda e Wandemberg Alves Fonseca, o "Berguinho", membro do "Clube do Opala" de Pitangui. Segundo os organizadores do evento a ideia é promover o intercambio de colecionadores de carros antigos da região centro-oeste de Minas em Pitangui.


Kássio e Diego Brian prestigiaram o evento



Conheça a história do Fusca no Brasil clicando na imagem acima.
Da esquerda para a direita: Opala e Ford Galaxie Landau
Leia um artigo sobre o Ford Galaxie Landau clicando na foto acima.
Dinei (Pitangui) e seu Opala
Antônio "Pé-de-cana" (ao centro) com seu Opala e compannheiros
Se você também gosta do Opala e quer saber mais sobre
este automóvel clique AQUI
Renato (Divinópolis) e sua Caravan 1979
Além dos colecionadores de Pitangui, o encontro contou também com a participação de representantes de Divinópolis, São Gonçalo do Pará, Bom Despacho, Nova Serrana, Lagoa da Prata e Santo Antônio do Monte.
Fabiano Padilha ( São Gonçalo do Pará) e seu Passat LS 1978



Relíquia: Gordini, típico automóvel da década de 1960

Saiba mais sobre a história do Gordini clicando na foto acima
Conheça um site especializado em Gordini clicando
AQUI.

Ford Maverick: símbolo de potência e conforto da década de 1970
Leia sobre o Ford Maverick clicando na foto acima.

Opala em ótimo estado de conservação

Fernando Peixoto afirma que o grupo pretende organizar encontros mensais entre os proprietários de carros antigos dePitangui

Wandemberg e seu Opala
Os organizadores do 1º Encontro de Carros Antigos de Pitangui agradecem a presteza do Sr. Matheus de Freitas, zelador da Praça Governador Benedito Valadares.
A Rural marcou época

Para saber mais sobre a Rural clique na foto acima.
O "Clube do Opala" marcou presença


Os organizadores do evento pretendem estruturá-lo melhor e promover pelo menos dois encontros anuais envolvendo colecionadores de carros antigos da região centro-oeste de Minas Gerais. Torcemos para que esta ideia vingue, pois este será mais um atrativo turístico para Pitangui. O blog "Daqui de Pitangui" estará sempre pronto para divulgar eventos desta natureza.
Fotos da Postagem: Licínio Filho
Máquina bem tratada

sábado, 15 de maio de 2010

Joaquina de Pompéu: As duas faces da matriarca

Grande dama? Messalina dos trópicos? Até hoje não se sabe ao certo quem foi Joaquina do Pompéu, uma das mulheres mais ricas e poderosas do século XIX

por Gilberto Cézar de Noronha

Uma grande dama do século XIX, pia, conservadora, religiosa e bem comportada, ou uma sinhá da “pá-virada” que escandalizava a sociedade fornicando com os próprios escravos? É entre esses dois extremos que oscila a fama de Joaquina do Pompéu, uma das mulheres mais poderosas das Minas Gerais do seu tempo. Quando morreu, aos 72 anos, em 7 de dezembro de 1824, vítima de derrame cerebral, deixou uma herança avaliada, em dinheiro atual, em aproximadamente 2 bilhões de reais. E também uma memória controversa. Até os dias de hoje, circulam inúmeras histórias sobre a grande senhora, relembradas e transmitidas boca-a-boca e também registradas pela literatura e pela historiografia.

Dona de um nome extenso que lhe dava foros de nobreza – Joaquina Bernarda da Silva de Abreu e Silva Castelo Branco Souto Maior de Oliveira Campos – ela nasceu em Mariana (MG) em 20 de agosto de 1752. Era a quinta dos nove filhos de um advogado português, Jorge de Abreu Castelo Branco, e da açoreana Jacinta Teresa da Silva. Ficou órfã de mãe aos 10 anos de idade, mas d. Jacinta teve tempo de educá-la como uma pequena dama à moda européia, ensinando-lhe a “ler, bordar, coser e cozinhar, assim como a rigorosa política do século XVIII, que era a polidez de receber as pessoas e tratá-las com fineza”. Viúvo, o pai de Joaquina retomou os estudos eclesiásticos começados em Coimbra e se ordenou padre. Em 1762, transferiu-se com a família de Mariana para Pitangui, vila localizada no oeste da capitania de Minas. Foi lá que Joaquina conheceu o capitão de milícias Inácio de Oliveira Campos, com quem se casaria em 1764.

É nesse período que se revelam as primeiras expressões de um temperamento forte, arrebatado e independente. Embora, aos onze anos, estivesse apaixonada por Inácio, se vê obrigada, como era costume na época, a ficar noiva, por imposição do pai, de um homem de que não gostava, o comerciante Manuel de Sousa e Oliveira. No dia do noivado, no entanto, recusou-se a um brinde com o “prometido”. Para espanto dos presentes, aproximou seu copo do copo do capitão de milícias, que comparecera à festa, e disse em alto e bom som: “Não é para beber a saúde do noivo escolhido? Pois eu bebo a saúde de meu noivo, capitão-mor Inácio de Oliveira Campos”. A atitude de Joaquina quase resultou num duelo entre Inácio e o noivo ultrajado, que acabou demovido da idéia.

Apesar dos protestos paternos, Joaquina e Inácio acabaram se casando, em 20 de agosto de 1764. Ela com 12 anos, e ele 30. O casal mudou-se para uma pequena propriedade nos arredores de Pitangui: a Fazenda Lavapés. Conta-se que Joaquina se mostrou uma esposa trabalhadeira, sempre disposta a encarar a lida da fazenda. Em 1771 Inácio é designado para missões de apresamento de índios e negros fugidos nos sertões do oeste mineiro e recebe por isso, como recompensa, várias sesmarias que aumentam consideravelmente seu patrimônio. Com a morte de seu pai, em 1774, herda terras em Paracatu (região noroeste de Minas), e fica ainda mais rico. Como o capitão passava muitos meses fora de casa, a administração da Fazenda Lavapés ficava por conta de Joaquina, que se desincumbia com extrema competência da tarefa. Em 1784, o casal se muda para a Fazenda do Pompéu, localizada no centro-oeste de Minas, que pertenceu oficialmente a Manuel Gomes da Cruz até 1792.

Este é um período bastante controverso da vida de Joaquina, sobretudo pelos seus negócios escusos que lhe renderam a fama de intransigente, violenta e desonesta: Referem-se a esse período as histórias, narradas ainda hoje, sobre suas práticas de roubo de gado e assassinato de boiadeiros, cujos corpos seriam enterrados embaixo de seu sobrado. Este, aliás, conhecido como o Solar de Joaquina do Pompéu, uma construção iniciada em 1785, era um casarão muito grande, de dois pavimentos divididos em 79 quartos, feito de esteio de aroeira em sistema de pau-a-pique, cujas ruínas se mantiveram de pé até 1954, quando foi demolido para a construção de uma rodovia. Os pontos controvertidos desse período são muitos: entre eles, a própria mudança do casal para Pompéu e a construção do imenso solar quando ainda não tinha a posse oficial da terra. A escritura da Fazenda do Pompéu é lavrada apenas em 1792, conforme registrado em uma ação de Antônio José de Faria movida contra Joaquina. O demandante acusava Joaquina de dar um golpe contra o antigo proprietário do Pompéu, aproveitando-se de sua idade avançada, comprando-lhe a terra por preço irrisório e, como se não bastasse, não lhe pagando tudo que devia. Uma série de cartas escritas entre 1792 e 1798 pelo próprio Manuel Gomes, endereçadas a Joaquina, hoje localizadas no Arquivo Público Mineiro, traz indícios de que ela atrasava o pagamento da dívida.

Em 1795, Inácio ficou paralítico e Joaquina assume os negócios e o controle do latifúndio. Com a morte do marido, nove anos depois, é que a grande proprietária, aos 52 anos, começa a construir, de fato, a sua fama. Desde então as versões sobre sua conduta moral e sexual são desencontradas. Alguns, como o poeta e jornalista Lindolfo Xavier, afirmam que a viúva todo-poderosa jamais pensou em casar de novo, mantendo-se “fiel à memória do marido, honrando-lhe o nome e as tradições”. Austera, portava-se como um verdadeiro comandante, não poupando nem os dez filhos de sua disciplina quase militar. Mulher de grandes pudores, não se mostrava nua, no banho, nem para as escravas de confiança. Tratava e alimentava bem os escravos. Religiosa, caridosa com as causas da igreja católica, era respeitada até pelas autoridades reais.

Mas existe o “lado B” da viúva Joaquina do Pompéu, construído a partir dos pontos mais obscuros de sua vida e de sua condição de mulher, viúva, senhora de escravos que estava à frente dos negócios. Os que defendem sua memória dizem que tudo não passaria de “maledicência, lendas, coisas inventadas”, mas o fato é que algumas histórias que circulavam na época não lisonjeiam sua personalidade. Em vez de boa, seria muito cruel com os escravos. Em vez de honesta, era corrupta nos negócios. Pior do que tudo, pela ótica da sociedade colonial, tratava-se de uma mulher lasciva e mesmo “depravada”. Sua conduta escandalosa caiu em breve na boca do povo, que se encarregou de passar, de geração a geração, histórias que envolviam descomedimentos e sexo desregrado.

Uma delas é que gostava de recrutar negros escravos para o seu deleite erótico. Naquele tempo os senhores podiam até fazer isso, mas nunca as mulheres. Dizia-se que dava ordens para que se colocasse o amante eventual “de molho” numa banheira, durante dias, antes dos seus serviços sexuais, a fim de retirar-lhe o “bodum”. Alguém chegou a vê-la enlaçada com um escravo à margem do córrego das Areias, em plena luz do dia, num lugar onde havia um monjolo. Segundo as más línguas, a engenhoca, com suas batidas intercaladas e constantes, ditaria o ritmo da cópula, enquanto transformava o milho em fubá. Ainda hoje, as pessoas da região contam risonhamente esta história concluindo quase sempre com uma frase inusitada: “Era uma pancada de lá e outra de cá! Na beira do corgo, êta mulher safada, Sô!”.

Fora esse lado mais obscuro, Joaquina foi – isto comprovadamente – anfitriã de viajantes estrangeiros que estiveram aqui a serviço do rei de Portugal e recebeu no seu solar os alemães Eschwege e Freyreiss, respectivamente em 1811 e 1813. Participou também, indiretamente, da Independência do Brasil, em 1822, enviando bois para as tropas de d.Pedro, na Bahia. Por sua influência política, embora “não tivesse exercido cargo eletivo”, é constantemente evocada como matriz de uma elite política regional mineira.

Quando morreu, tinha 74 netos e 15 bisnetos. Do seu testamento constavam 11 fazendas, 40 mil cabeças de gado e algumas centenas de escravos, fora baixelas de prata e bandejas e barras de ouro, entre outros tesouros. Mas talvez sua grande herança seja justamente a imagem múltipla que deixou: “sinhá braba” ou “dama do sertão”? É esta que até hoje povoa a imaginação da posteridade.

Gilberto Cézar de Noronha é professor de história da Faculdade do Alto São Francisco – FASF/LUZ e autor do livro Joaquina do Pompéu: Tramas de memórias e histórias nos sertões do São Francisco. Uberlândia: EDUFU, no prelo.

O barão e as más línguas

Quando fazia um levantamento das riquezas minerais do Alto São Francisco, a serviço do rei de Portugal, Wilhelm Ludwig Von Eschwege (1777-1885), o barão de Eschwege, hospedou-se no solar de Joaquina do Pompéu. Os resultados da viagem foram apresentados no livro Pluto brasilienses, escrito por volta de 1821 e publicado, pela primeira vez, em 1833, em Berlim. Na obra, o autor narra a chegada à Fazenda do Pompéu, registrando a sua surpresa com o tamanho da propriedade, que descreve como tendo pelo menos 150 léguas quadradas. Ficou também bem impressionado com a hospitalidade de Joaquina e a assistência por ela oferecida. Sua comitiva ficou ali abrigada por vários dias, munindo-se de víveres necessários à retomada da viagem em direção aos rios Indaiá e Abaeté. O barão registra, em nota de rodapé, seu agradecimento especial a Joaquina e procura esclarecer um boato que surgiu a respeito do mineralogista e da hospitaleira fazendeira: um suposto envolvimento amoroso seguido de um presente de mil bois oferecidos a ele por Joaquina. Segundo o próprio Eschwege, suas constantes hospedagens, “às vezes por semanas”, na casa de Joaquina, deram origem a “boatos que correm a meu respeito espalhados por alguns viajantes e subscritos por outros”. Para o viajante, entre os que poderiam ter contribuído para fazer circular a intriga estaria outro alemão, de nome Werner, que também se hospedou no solar. Mas talvez Eschwege estivesse mais próximo da verdade caso suas suspeitas recaíssem sobre os próprios moradores da região. Era a população do oeste mineiro que, em geral, espalhava aqueles comentários “maliciosos”, como, aliás, ocorre ainda hoje.

Saiba Mais - Bibliografia:

CAMPOS, Deusdedit Pinto Ribeiro de. Dona Joaquina do Pompéu: sua história e sua gente. Belo Horizonte: Roma, 2003

GUIMARÃES, Antônio Campos. A Dama do Sertão. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1985

RIBEIRO, Coriolano e GUIMARÃES, Jacinto. Dona Joaquina do Pompéu. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1956.

VASCONSCELOS, Agripa. Sinhá Braba –Dona Joaquina do Pompéu. Belo Horizonte: Itatiaia, 1974.

Saiba Mais - Site:

Coleção FAMÍLIA JOAQUINA BERNARDA DE POMPÉU (FBJP). Sistema Integrado de Acesso do Arquivo Público Mineiro. Disponível em http://www.siaapm.cultura.mg.gov.br/modules/fundos_colecoes/brtacervo.php?cid=58
FONTE DESTA POSTAGEM:
Revista de História da Biblioteca Nacional:
http://rhbn.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=1321 , acessado em 15/05/2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A Mão-de-obra escrava nas Minas

As primeiras rodas de Capoeira
Imagem de J.M. Rugendas.


Nessa agradável labuta de pesquisar as origens de Pitangui, estamos adquirindo o hábito de frequentar os sebos, na busca de livros sobre a história de Minas Gerais. Na última visita a uma dessas lojas de livros usados e antigos, identificamos um material interesante para compartilhar nesse 13 de maio, aos 122 anos da Lei Áurea, que aboliu a escravidão (formal) no Brasil em 1888. É imporante ressaltar que os relatos apresentados abaixo têm por objetivo abordar a importante participação dos negros na formação da identidade do povo mineiro.


As Vilas do Ouro

Ao se divulgar o descobrimento do ouro, moradores das capitanias vizinhas dirigiam-se para a região das jazidas fazendo-se acompanhar pelos familiares e serviçais. Chegaram assim os primeiros escravos negros. Na época (século XVIII), possuir um escravo, além das serventias nos trabalhos braçais, conferia status aos donos. E a obtenção de um lote de terras ou sesmaria estava relacionada ao número de escravos que se possuia. Existia portanto, um escalão social com diversas nuances. As moradias variavam dos ranchos às boas casas de telhado nas vilas e arraiais mas progressistas. Basta dizer que em 1711 os núcleos de Nossa Senhora do Carmo (Mariana), Vila Rica (Ouro Preto), Nossa Senhora da Conceição de Sabará e São João Del Rey, em 1714 Vila Nova da Rainha (Caeté) e em 1715 Pitangui, foram elevados à categoria de vilas a vista do progresso alcançado.


Escravos garimpando o ouro
Imagem de J.M. Rugendas.


Para efeito da cobrança do quinto do ouro, o número de escravos e o comércio fora contabilizado em 1742:
em Vila Rica -14.293 escravos – à razão de 2 oitavas e 40 réis;

em Vila do Carmo – 16.978 escravos; 305 lojas e vendas;

em Vila Real – 8.140 escravos; 153 lojas e vendas;

em Vila de Pitangui – 704 escravos; 18 lojas e vendas;

em Vila de Caeté – 6.366 escravos; 1800 lojas e vendas;

em São João Del Rey – 3.355; 60 lojas e vendas;

em Vila de São Josepe (Tiradentes) – .3.505 escravos; 73 lojas e vendas;

em Serro Frio – 2.522; 46 lojas e vendas;

em Vila Nova da Rainha – 6.225; 149 lojas e vendas;

em Vila da Piedade – 865 escravos; 19 lojas e vendas;

em Vila do Príncipe – 2.522 escravos; 46 lojas e vendas;

Cada escravo recolhia diariamente uma oitava de ouro. No primeiro semestre de 1742, em Vila Rica recolheu -se 39.122 quintos de ouro (2 quintos e 72 por escravo) e em Pitangui apenas 2053 quintos, proporcionalmente igual a Vila Rica (2 quintos e 72 por escravos).

Talvez o pequeno número de escravos registrados e o baixo recolhimento dos quintos, foi devido a conhecida insubordinação dos moradores da Vila de Pitangui, que gerou anteriormente grandes motins que influenciaram diretamente na criação da Capitania das Minas de Ouro, separando-a da Capitania de São Paulo, em 1720.

Fonte de Pesquisa: SALVADOR, Gonçalves José. Os Cristãos-Novos em Minas Gerais Durante o Ciclo do Ouro (1695-1755) Relações com a Inglaterra. Ed. Pioneira. S. Bernardo do Campo, 1992.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Blogs X Redes Sociais

No blog Daqui de Pitangui, o foco é lançar outros olhares sobre a Sétima Vila do Ouro das Gerais, mas além de agir localmente, é preciso pensar globalmente, ficando antenado com o que acontece no mundo. Diante disto compartilhamos o resumo de uma matéria publicada no jornal Corrreio Brasiliense em 11/05/2010, assinada pelo jornalista Ataíde de Almeida Jr. O artigo trata da diversificação das mídias eletrônicas e da aparente disputa entre elas.

Disputa acirrada

Os blogs surgiram como uma espécie de diário virtual. Inicialmente, eram restritos a um grupo de pessoas e usados de modo privativo para que os usuários contassem detalhes do dia a dia ou fizessem revelações e confissões. A popularidade cresceu e virou mania entre jovens e adultos, os blogs deixaram de ser limitados e dominaram o cenário da internet. Ainda é rápido e fácil criar um espaço na internet, postar uma informação, fotos e vídeos.

No entanto, os mais de 133 milhões de blogs registrados pelo site Technorati desde 2002 estavam ameaçados com a chegada das redes sociais e dos microblogs. Orkut e Facebook prenderam a atenção dos jovens que passaram a relatar histórias e a fazer questionamentos através de comunidades.

Uma pesquisa do instituto Pew Research Center feita nos Estados Unidos revelou que a quantidade de jovens de 12 e 17 anos que escrevem em blogs caiu de 28% para 14% de 2006 para cá. Em 2007, 24% dos usuários entre 18 e 29 anos mantinham um espaço na internet. Hoje, não passam de 15%.

As pessoas utilizavam os blogs como principal meio de expressão. À medida que começam a surgir outras ferramentas, nas quais se podem publicar fotos ou vídeos, elas vão passar a utilizar esses mecanismos. Apesar de ser considerado fácil fazer um post e colocá-lo na web, o tempo para preparação do texto é maior. No caso do Twitter, o usuário em apenas 140 caracteres consegue expressar o que sente” explica Edney Souza, criador do Interney Blogs e sócio de uma agência de comunicação especializada em mídias sociais.

O fim dos blogs, no entanto, ainda está distante de acontecer. A cada dia, cerca de 200 mil blogs são criados, segundo o Technorati. “Não vejo nenhuma possibilidade de o blog morrer, pois é uma ferramenta de publicação ágil e gratuita. Para quem tem necessidade de publicar textos, ele vai continuar sendo a melhor opção”, explica Edney Souza. Além disso, o serviço é ainda fonte de informação qualificada. Até mesmo os maiores vilões dos blogs, como Twitter, Orkut e Facebook, possuem um blog para informar os problemas, correções e novidades das ferramentas. No entanto, a briga deve durar pouco. O futuro dos blogs e das redes sociais parece ser de perfeita harmonia. “Os dois vão conviver pacificamente no futuro com seus determinados papéis”, prevê Souza.

Veja o artigo na íntegra:

http://www2.correioweb.com.br/cbonline/informatica/sup_info_1.htm


No nosso entendimento uma coisa não atrapalha a outra, ou seja, as formas de abordagens são diferentes, mesmo atingindo um mesmo público. O que vai prevalecer é a qualidade da informação. Além do mais, acreditamos que a convergência e a interatividade entre as mídias é a tendência. Temos uma satisfação enorme em pesquisar a história, a cultura e o talento de nossa gente e divulgál-os por aqui. Por falar em interatividade, entre para a nossa comunidade no orkut e registre suas sugestões. http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=96756352

Até a próxima.