Seguidores

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Homenagem ao Zé Lacerda

A postagem de hoje é dedicada ao Sr. José Torres de Lacerda, o Zé Lacerda, como é popularmente conhecido em Pitangui. Filho de um modesto servidor público,quando criança Zé Lacerda se mostrou um empreendedor. Começando a trabalhar aos 7 anos como engraxate e depois jornaleiro, aos 12 anos comprava ovos e aves para negociá-las em Belo Horizonte. Ainda jovem se tornou representante comercial de importantes empresas na região de Pitangui. Sua capacidade empreendedora o fez um bem sucedido empresário.



Também trabalhou no Departamento de Correios em Pitangui como carteiro chegando a ocupar o cargo de gerente da Agência Postal da cidade. Por determinação da diretoria regional passou a atuar na inspeção das agências dos correios.


Mas, talvez Zé Lacerda tenha ficado popularmente conhecido por sua atuação como locutor, animador e promotor dos principais eventos de Pitangui e região por mais de 40 anos, inclusive nas inesquesíveis e animadíssimas barraquinhas e quermesses, além de showmícios.


Ingressando na vida pública exerceu por dois mandatos o cargo de Secretário e Presidente do legislativo pitanguiense. Formou-se em Direito pela FADOM.



Participou como delegado de Pitangui ao Colégio Eleitoral para a escolha do governador e Senador de Minas Gerais durante a Ditadura Militar.


Zé Lacerda (direita) aperta a mão de Aureliano Chaves

Zé Lacerda casou-se com a Sra. Maria José Saldanha Lacerda, com quem teve 5 filhos. Seus filhos lhe deram 7 netos. Sempre com marcante atuação na vida pública e social de Pitangui e região, Zé Lacerda, com sua simpatia cativante tem sua história registrada em nosso blog. Fica aqui nosso reconhecimento a este cidadão pitanguiense.
Agradecemos à família do Zé Lacerda, em especial a sua filha Kênia e ao seu neto Renato por gentilmente cederem o material biográfico e fotográfico para esta postagem.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Festa do Campo Grande em homenagem a São João




No sábado dia 19/06 ocorreu no distrito de Campo Grande/Pitangui/M.G. mais uma festa em homenagem a São João Batista. Conforme relatos de meu pai, relembrando os comentários do meu avô, o evento já acontece há mais de 100 anos e deve ter suas origens na criação do próprio distrito. No inventário de Francisca Xavier Cézar (veja postagem neste blog), datado de 1798, existe uma referência a uma localidade chamada Campo Grande, mas não se pode afirmar com certeza que se trata do vilarejo situado a 12 km de Pitangui.


Profeta amplamente citado no Antigo Testamento, São João Batista é descrito na Bíblia como primo de Jesus Cristo e o responsável por anunciar a chegada do Messias aos homens. Os católicos lhe prestam homenagem no dia 24 de junho, no caso de Campo Grande a comemoração no fim de semana anterior visa permitir o comparecimento de uma maior número de pessoas.



A festa contou com todos os detalhes comuns em festas juninas como as bandeirinhas coloridas que foram criadas pelos antigos para deixar o ambiente, e principalmente o céu, mais festivo e descontraído, e também não poderia faltar a fogueira que significa a luz de Jesus, anunciada por João Batista como capaz de salvar o mundo de seus pecados. Este ano a fogueira de Campo Grande media mais de 20 metros de altura. Não faltou também as barraquinhas que serviam comidas típicas.
A comemoração teve início com a celebração de uma missa que foi sucedida por um cortejo que se dirigiu até a casa do Sr. Gonzaga, que este ano foi o festeiro do mastro. Acompanhado alegremente pela banda Santa Cecília da localidade de Ibitira, que há mais de 30 anos anima a festa, o grupo retornou ao alto do vilarejo entoando os seguintes versos:



Ó Sr. São João Batista
A vossa bandeira cheira
Cheira a cravo, cheira a rosa
Cheira a flor da laranjeira


Após as costumeiras três voltas ao redor da capela, o mastro foi erguido sendo sua base firmada com golpes de troncos ao som de pequenos versos intercalados com o também tradicional refrão "ô não bambeia não !"






Içado o mastro, teve início a hora mais esperada da festa: o show pirotécnico que durou mais de 5 minutos enchendo de cores o céu da pequena localidade. O espetáculo terminou com um "foguete" sendo conduzido por um fio dando ignição na imensa fogueira.



A festa continuou no salão do Centro Social do distrito onde um animado conjunto formado por membros de famílias da região fez a alegria dos forrozeiros.


A festa de São João de campo Grande é uma importante manifestação cultural do município de Pitangui, que ainda mantém viva uma tradição secular dos católicos e que poderia ter uma melhor valorização por parte de muitos pitanguienses que preferem, nesta mesma época, frequentar outras festas de cunho essencialmente comercial, uma pena !



Texto e fotos: Vandeir Santos

sábado, 26 de junho de 2010

Hoje tem lua cheia


Fotos: Dênio Caldas.

Na tarde da última sexta-feira, num bate papo lá na varanda, apreciamos o nascer da lua, atrás da Igreja de São Francisco. Indescritível!!! O Dênio registrou o espetáculo para compartilharmos por aqui.





Esperamos que a igreja esteja restaurauda o quanto antes para receber a lua cheia, de "roupa nova".

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A Função nas quartas-feiras.

Função: s.f.: (lat functione) Ação natural e própria de qualquer coisa. Atividade especial. Finalidade. Festa, festividade, solenidade. Divertimento em comum.


Na casa do Verinho, a família tem o hábito de se reunir nas quartas à noite para assistir aos jogos de futebol (mesmo quando não tem jogo). Para animar essa reunião onde a boa prosa e a variedade dos tempeiros são a marca registrada, tem sempre uma cervejinha e uns petiscos.

Na última quarta-feira o tira gosto principal foi paçoca de carne, socada no pilão, preparada coletivamente pelos presentes. Ou seja, todo mundo colocou a mão na massa, ou melhor no pilão.




O mais interessante deste acontecimento (sagrado nas quartas) é o fato da família estar sempre junta, confraternizando.



Fotos: Léo Morato.

Receita da Paçoca
Ingredientes:
Carne frita e temperada (carne de sol, contra filé, alcaltra, etc).
Torresmo.
Farinha de mandioca.
Tempeiros a gosto (pimenta calabresa, alho poró, tempeiros caseiros, caldo de costela, etc).

Modo de fazer:
Colocar os ingredientes no pilão, de modo que a farinha cubra a carne e o torresmo.
Adicionar os tempeiros de acordo com a preferência.
Socar o pilão até que a paçoca (farofa fina) fique pronta.

Não esqueça de acrescentar:
Uma porção grande de amizade.
Um punhadinho de boa conversa.
A televisão ligada no jogo (se não tiver o jogo, serve uma boa música).
E uma cervejinha gelada.
Os tira-gostos adicionais tambem são bem vindos.

Bom apetite!!!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Santuário de Nossa S. da Conceição

Na sexta feira, 19, eu e Dênio estivemos em Conceição do Pará, em mais um passeio de bicicleta da melhor qualidade. Durante a pedalada pudemos apreciar as belezas naturais da região e também visitar o Santuário de Nossa Senhora da Conceição, local que transmite uma paz contagiante. Mais uma vez fui em uma bike emprestada, desta vez, gentilmente cedida pelo Rodrigo da Quatri .

Além de divulgarmos Pitangui, também é de nosso interesse divulgarmos as cidades circunvizinhas. Uma das principais atrações de Conceição do Pará é a festa de Nossa Senhora da Conceição, que acontece no dia 08 dezembro, no Santuário em Homenagem à Santa.




Aos domingos é celebrada missa às 10:00 horas da manhã


Visitando Pitangui aproveite para conhecer o Santuário de Nossa Senhora da Conceição.
Visitando o Santuário em Conceição do Pará aproveite para conhecer os monumentos históricos de Pitangui, a "Sétima Vila do Ouro"




Fotos desta postagem: Licínio Filho

terça-feira, 22 de junho de 2010

Pitangui na Casa dos Contos


Rua São José, Ouro Preto.


No último fim de semana, fomos conferir a 5ª Mostra de Cinema – CINEOP em Ouro Preto, realizada de 17 a 22 de junho. Seguindo o roteiro do Circuito dos Museus daquela cidade, visitamos a Casa dos Contos. Este suntuoso monumento do Barroco Mineiro foi construído em 1784 para ser a residência e “Casa de Contratos” (Arrecadação Tributária das Entradas e Dízimos) da Coroa Portuguesa.


Acervo da biblioteca - livros raros.


O prédio da Casa dos Contos teve diversas funções ao longo do tempo, atualmente abriga um museu com móveis e utensílios do século XVIII, um espaço para exposições de arte, uma senzala com objetos do tempo da escravidão (museu do escravo), uma rica biblioteca e o Centro de Estudos do Ciclo do Ouro (inaugurado em 1973) que realiza a microfilmagem e a catalogação de toda a documentação econômico-fiscal do Ciclo do Ouro.



Vista interna da entrada do prédio.

A Casa dos Contos, vinculada ao Ministério da Fazenda, tem a seguinte Missão: “Preservar a memória econômico-fiscal do Ciclo do Ouro, a arquitetura barroca e promover as artes e a cultura nacional”.


Aparelho para a visualização de documentos microfilmados.

Tivemos acesso ao Centro de Estudos, no qual fomos recebidos pela Sra. Conceição, Paleógrafa responsável pelo órgão, que nos informou sobre o funcionamento do espaço e nos apresentou o catálogo sobre a documentação disponível.


Catálogo da documentação existente.

Na breve pesquisa identificamos três valiosos exemplares da História de Pitangui e documentos sobre fatos ocorridos na 7ª Vila. Mas devido ao pouco tempo disponível para a visitação, não pudemos aprofundar a pesquisar sobre os registros relativos à Pitangui, neste contexto fiscal no Ciclo do Ouro.


Livros: Ocorrências em Pitangui 1713-1721. CARVALHO, Theóphilo Feu de.
A História de Pitangui. SOARES, Monsenhor Vicente.
O Gonçalvismo em Pitangui. DINIZ, Silvio Gabriel.

Foi uma experiência muito válida, pois pudemos identificar a importância do acervo da Casa dos Contos (origens da identidade brasileira) para a cultura nacional e saber um pouco mais sobre a participação e contribuição de Pitangui na história de Minas e do Brasil.


O cair da tarde em Ouro Preto.
Fotos: Léo Morato.

Outra observação pertinente é o fato de um museu (devidamente organizado e aberto à visitação) caracterizar-se como um importante subsídio para o fomento do turismo cultural.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Tecidos de Família:história da Família Saldanha

Em março de 2008 Renato Lacerda Megali presenteou minha esposa, com um livro sobre sua família chamado "Tecidos de Família", escrito por Desirée Cipriano Rabelo.Nele, a autora registra a história da família Saldanha através de lembranças, histórias de família, poesia, culinária, fotos e músicas que animavam as reuniões da família.
O livro foi muito bem escrito e tem ótima qualidade gráfica. Desirée soube tecer (como sugere a capa do livro) histórias de forma criativa e terna. Escolhi um poema escrito pela autora para ilustrar o significado de Pitangui para quem está longe e vem visitá-la.
Pitangui, cidade pequena
O sino toca
Sobe morro, desce morro
Angu com quiabo
Tutu com feijão
Bom dia, boa tarde
Dê lembranças à comadre
Todo dia a mesma coisa
Corre o tempo, passa a guerra
Menos aqui, menos aqui
Nada há de mudar
Levanta cedo, vai à missa
Que o sino acabou de tocar
Reza o terço, que contexto
Nossa Senhora há de abençoar
Sobe morro, desce morro
Leite gordo todo dia
Êta tempo que não passa
Tá na hora de almoçar
Tem biscoito de polvilho
também broa de milho
Mesmo tempo, mesma vida
Benção vó, benção vô
Como vai, como vou
Todo dia a mesma coisa
Felicidade sem igual
Sobe morro, desce morro
Como mingau de fubá
Hoje tem festa na praça
O moço toca serenata
E esse sino que não pára de tocar
Que vontade, que vontade,
Que vontade de ficar
Desirée em Pitangui 1978.
FONTE:
RABELO, Desirée Cipriano.Tecidos de Família, história da família Saldanha.Vitória:2008

domingo, 20 de junho de 2010

Entre Amigos

No último dia 10 de junho nos reunimos para comemorar o anivérsário do Léo na casa de seus pais, no Lavrado. E foi tudo de bom, boa prosa, amigos, e claro, comes e bebes da melhor qualidade. Na ocasião tive o prazer de conhecer pessoalmente William Santigo, intelectual pitanguiense, e que tem seu trabalho literário e também como empreendedor registrado aqui no blog.

Da esquerda para a direita: Nágila, Ricardo, Licínio, Reinaldo, Léo, Juliana, William Santiago, Dênio e Aninha.

A partir da esquerda: Licínio, Léo, William Santigo e Dênio

A boa conversa sobre assuntos diversos se prolongou até altas horas: lembranças de Pitangui e suas personagens, música, literatura e muita coisa mais.



A partir da esquerda: Ricardo, Everton, Vandeir, Dênio e Licínio

O encontro foi muito bacana, o primeiro de uma série.

Fotos da Postagem: cedidas por Léo Morato

sábado, 19 de junho de 2010

Correspondências de Gustavo Capanema

No livro "Tempos de Capanema" (2000) encontramos a reprodução de algumas correspondências de Gustavo Capanema com personalidades da política e da cultura brasileira e internacional, mas uma correspondência me chamou a atenção. Trata-se de uma carta enviada à sua mãe, Dona Marciana Júlia Freitas Capanema, datada de 1931. Nela Capanema mostra sua preocupação com a saúde do irmão, Corinto, e da mãe,mas também revela um pouco da política brasileira daqueles dias, marcada pela troca de favores, típico das práticas clientelísticas. Capanema também deixa claro o interesse em manter sua família em Pitangui para atender aos seus interesses políticos. Reproduzo abaixo a carta na íntegra.




"Belo Horizonte, 12.1.1931

Minha mãe,
Um abraço. Acabo de receber a sua carta. Fiquei muito magoado com as notícias que a senhora me dá, não só de seu mal-estar como também da doença do Corinto. Aí vai um pouco de dinheiro.
Peço-lhe que me mande dizer com urgência onde está meu pai, pois o lugar dele já está arranjado. Ele deve vir morar em Pitangui, onde a senhora e ele deverão ter casa. O João e Alice deverão instalar-se logo em Pitangui. O João está contratado para professor da Escola Normal, devendo a nomeação dele para diretor sair nestes poucos dias.
Meu pai irá para o cargo de escrivão da Coletoria Federal, tendo eu já arranjado um lugar para o Vital aqui em Belo Horizonte.
O Corinto deverá submeter-se a rigoroso tratamento, para o que seria bom que consultasse um especialista daqui. Fala ao Alisinho para trazê-lo aqui.
Quero ver se arranjo para o José um lugar no Banco do Brasil, aqui na agência de Belo Horizonte. O Alisinho quer ser nomeado para o lugar do Nêm Vilaça, mas não estou com vontade de fazer isso. Se me for possível, arranjarei um lugar para ele aqui.
Seja como for, a nossa família deve ficar instalada em Pitangui. Lá é que deve estar o nosso centro. Eu quero muito a Pitangui e não desejo separ-me daquele povo. Além disso, tenho lá interesses políticos. É principalmente por isso que preciso ter em Pitangui um ponto de descanso, ou um centro de informação e trabalho.
Espero que tudo isso se fará logo. Até que se normalize a situação, peço-lhe que me comunique todas as suas necessidade, para eu arranjar jeito para afastá-las.
Adeus. Abençoe o seu filho,
Gustavo"
FONTE:
SCHWARTZMAN,Simon;BOMENY,Helena Maria Bousquet;COSTA,Vanda Maria Ribeiro. Tempos de Capanema. p. 297, São Paulo: Paz e Terra:Fundação Getúlio Vargas,2000.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Quintais e Varandas

Começamos hoje, um novo enfoque. Como o nosso propósito é (re)descobrir e valorizar Pitangui, lançando outros olhares sobre a sétima Vila do Ouro das Gerais, divulgaremos, com a devida permissão, as peculiaridades das casas pitanguienses. Os quintais onde os filhos das familias pitanguienses passaram a sua infância (as árvores frutíferas, as hortas, os varais, as estripulias de criança, etc). E as varandas de onde se avista a rua, a procissão, o comício, o por do sol e o nascer da lua, as memórias... Se você tem algo de interessante para divulgar, faça contato conosco através do e-mail: daquidepitangui@gmail.com

A roupa secando no varal do quintal lá de casa.
Foto: Léo Morato.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Curso do Rio São [Francisco] ... - Biblioteca Digital Mundial

Nossos amigos da Argentina, a pitanguiense Luiza Pereira e seu esposo Abel Alexander, nos enviaram um link bem interessante ligado à história de Pitangui. Trata-se de um mapa do início do século XVIII a respeito do rio São Francisco e alguns afluentes. O mapa faz referência à Pitangui e deve ter sido elaborado pelos primeiros bandeirantes que desbravaram a região centro-oeste de Minas Gerais. Interessante também é observar as anotações contidas no mapa escritas em francês, como bem observa Luiza Pereira. Fica aqui nossos agradecimento a mais esta colaboração do casal.
Acesse o link abaixo e veja este raro mapa.


Curso do Rio São [Francisco] ... - Biblioteca Digital Mundial

terça-feira, 15 de junho de 2010

A religiosidade pitanguiense

No domingo dia 13 de junho, dia de Santo Antônio, foi celebrada uma missa campal em frente a Capela da Penha. Com a participação de pitanguienses de toda parte da cidade, a celebração teve início com a chegada da procissão, foi animada por um bonito coral e, ao final, houve a distribuição do pão de Santo Antônio (conhecido como o santo casamenteiro).


Fotos: Leonardo Morato.

Após a missa, a Lira Musical Viriato Bahia fez uma apresentação que iniciou a barraquinha (ao lado da 1ª casa de Pitangui) onde foram comercializadas comidas típicas, pela comunidade do bairro da Penha.



Não tivemos maiores detalhes sobre a organização da festa (queima da fogueira e o levantamento do mastro), mas a religiosidade do povo pitanguiense, foi o ponto alto da celebração.