Seguidores

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Carlito Seleiro


A família Pereira Rodrigues está em festa! Hoje é aniversário do Carlito que completa 85 anos bem vividos!!! Um dia desses, eu e o Léo fomos fazer uma visita, onde apreciamos o tropeiro da tia Celeste e visitamos a selaria para bater um papo e registrar umas imagens do Carlito em seu local de trabalho. Mas a história de vida desse importante artesão pitanguiense, quem vai contar são os seus filhos Carlinhos e Cássia, que escreveram o texto abaixo, que conta também uma parte da história recente de Pitangui. Parabéns Carlito, felicidades!!!




A ARTE DOS ARREIOS


Em 17 de julho se 1926, nascia Carlos Pereira, filho de Antônio Mariano Pereira e de Dona Ermínia Moreira de Faria ou “Miloca”, presente de uma prole grande de um total de 14 filhos, criados todos de uma mesma forma: austera, mas cercada de muito amor. Os capítulos que se sucedem fazem menção a uma história de vida e exemplo para todos.




O inicio da obra


Osório Pereira, irmão de Oscar Pereira traz para Pitangui ao final do século XIX e princípio do século XX, Antônio Mariano Pereira, para trabalhar em uma fazenda onde nos dias de hoje funciona a EPAMIG. Depois dos árduos trabalhos nos campos de algodão da fazenda, descobre-se a verdadeira e sublime ocupação do Sr. Antônio, a SELARIA, e este passa a confeccionar celas e arreios, cintos e bainhas, com uma perfeição que acaba chamando a atenção do Sr. João Alves de Freitas e depois pelo Sr. Varguinha.

A Família

De seu casamento com Dona Ermínia nasceram 14 filhos: Maria, Inês “Nezita”, Iolanda, Maurício, Carlos “Carlito”, Osório, Itagira, Ubaldina “Dina”, Zezé, Isabel “Isa”e Ermínia, Paulo , Mariano, Mario.




A obra sendo repassada e virando meio de vida

Nos finais de semana, as caçadas era a opção de distração que acompanhara seu Antônio e os seus filhos, principalmente os mais velhos, Maurício e Carlito. Vendo os filhos crescerem, resolve ensinar para os dois varões a nobre profissão. Carlito e Maurício se destacavam junto ao pai, mas cada um desenvolvera uma arte diferente: Maurício era muito bom nos consertos de peças e de arreios que se estragavam, e com rapidez e perfeição. Carlito no entanto, se assemelhava mais ao pai, tinha o dom de criar peças únicas e lindas. Ao perceber a desenvoltura dos garotos, Antônio resolve montar sua própria Oficina, que bem podia ser chamada de Atelier”, devido à arte e a perfeição das peças, e ganha mais um artesão: Francisco de Paula ou Paulinho, que também se interessava pela arte. Essa oficina se estabeleceu à Rua Visconde do Rio Branco, 77, imóvel que mais tarde venderia e construiria outro a Rua Leonardo Lopes, onde permaneceu por uns 50 anos.



Coisas da vida


Com a chegada de Paulinho à selaria, seu Antônio pode administrar melhor os negócios, que rendiam pouco, pois ambição não era rotina nesta família, ali reinava uma noção diferente de lucro e preço justo, e esses ensinamentos eram repassados para os filhos. A morte de Dona Miloca une ainda mais a família em torno de Seu Antônio. Logo em seguida ocorrem as mortes dos filhos Osório, Ermínia e Iolanda; Paulinho, muito jovem, sofre derrame, fica inválido, acontecimentos estes que trazem grande ferida ao coração de seu Antônio. Carlito já maduro conhece Fabiana, filha de Seu Pedro Coletor e Dona Conceição. Apaixonam-se e se casam em 22 de maio de 1969. Da união nascem Cássia e Carlinho. Dos filhos de Seu Antônio, das mulheres poucas se casaram, a maioria cuidava do pai, e do irmão doente, sendo somente duas a se casarem, quanto aos homens acontecera o contrário apenas dois optaram por ser solteiros: Paulo e Maurício. Seu Antônio, no alto dos seus 80 anos passava o dia sentado em sua cadeira, fumando seu cigarro, e contando histórias e histórias de caçadas e pescarias com sua espingarda e seus cachorros que só faltavam falar. Suas filhas solteiras, com muito carinho, cuidam do velho patriarca.




As despedidas


As separações sempre foram muito doídas, mas ao mesmo tempo enfrentada com coragem invejável. Mas a mais dolorida, fora a morte de Seu Antônio, homem xucro, mas ao mesmo tempo moderno, zeloso com a estrutura da família, deixa seu legado em 1980, aos 90 anos.




A arte da compreensão e mais despedidas


O companheirismo entre Maurício e Carlito, era uma coisa incomum, dentro do ambiente de trabalho não existiam desavenças, tudo era resolvido com a cessão de uma das partes, sem demandas ou delongas, seguindo uma rotina: um trabalha no conserto e outro na fabricação. Os anos passam para todos, não é verdade? E com os irmãos não foi diferente, tomado por enfermidade, Maurício cai em cama, debilitado, não consegue mais trabalhar, já Carlito segue firme, embora muito triste. Com o passar dos dias, Mauricio vem a falecer, e Carlito, sozinho, com o coração entristecido, resolve vender a antiga selaria; o dinheiro da venda foi minuciosamente divido com os irmãos vivos, para que todos pudessem compartilhar de tudo que o Patriarca conseguira com todo o sacrifício. Com o dinheiro que lhe resta, constrói uma nova selaria, em sua residência, onde compartilha da presença da esposa amada, Fabiana.




A arte depois dos oitenta


Carlito hoje segue trabalhando depois de sofrer um AVC, que,”diga-se de passagem,”, ainda no leito do hospital, fazia planos para continuar trabalhando, passa os dias na selaria. O AVC pode ter tirado um pouco a destreza, mas nunca a vontade de trabalhar. Hoje não faz mais os trabalhosos arreios e selas, dedica-se a peças menores, e com a mesma perfeição, sua genialidade aflora como nunca, e passa a criar peças de artesanato em couro, únicas e perfeitas. Mesmo com as lembranças tristes da perda da mulher querida, que olha por ele e por nós junto a Deus, ele está cercado do amor dos filhos e netos, nora e genro, e de seus dois anjos da guarda a Celeste e sua fiel escudeira Lita.



Parabéns Papai !!!! De seus filhos Carlinho e Cassinha, netos e neta, Célio e Nívia e Celeste “Ba”.




“Seus olhos ainda me admiram, sua paciência me encanta, sua honestidade ainda me educa. E sua arte! Com certeza ele age com Deus, seus arreios são belos, matutos os qualificam como únicos. Com certeza ele é e será único! Nós te amamos Pai".

Foto: acervo do Carlinhos.


Carlito: "aquele que usa da mesma arte dos arreios e selas para cativar a todos".


Fotos desta postagem: Léo Morato em 23/4/11.

11 comentários:

  1. Por problemas técnicos no provedor do Blog, tivemos que refazer algumas ações. Reproduzimos abaixo, na íntegra, os comentários postados sobre esta matéria:

    ResponderExcluir
  2. Ótima postagem. Parabéns aos filhos e ao sr. Carlos, pelo exemplo de dedicação ao trabalho e a família (eu ainda tenho duas bainhas de facão que o sr. Carlos me fez, há mais de 20 anos).
    Att,
    Nicodemos Rosa.

    ResponderExcluir
  3. Olá Dênio,
    parabéns pela bela postagem e justa homenagem ao Sr. Carlito.
    Abraço.

    Licínio Filho.
    17/6/11.

    ResponderExcluir
  4. Para aqueles que curtem as melhores coisas da vida (o jeito simples de viver). Recomendo o Blog do Rilmar. Sua crônicas são imperdíveis. Para uma palhinha visite:
    http://www.blogdorilmar.com/2011/01/o-exterminador-de-ratos_8021.html
    WAR.
    17/6.

    ResponderExcluir
  5. Fiquei feliz por ter participado da construção desta postagem, por mim e pelo meu pai que é amigo e cliente do sr. Carlito! Parabéns Carlito, muita saúde e alegrias ao lado dos familiares!
    Léo Morato.

    17/6.

    ResponderExcluir
  6. Emocionante a postagem... texto lindo e enternecedor...bela maneira de homenagear àqueles que marcaram nossas vidas e amamos profundamente... é justamente esse amor,que fica em nosso coração,nada e nem ninguém apaga de nossas lembranças,as palavras,os gestos e o companheirismo do caminho que trilhamos e as experiências que vivemos e adquirimos com os seres que compartilharam ou compartilham nossa jornada!Essa família merece todo carinho, amor e respeito. Feliz aniversário Carlito, e que Deus conceda-lhe muitos anos de vida, saúde e paz.

    Girlene.
    17/6.

    ResponderExcluir
  7. Na obra A INDÚSTRIA CASEIRA EM PITANGUI de Saul Martins - 1966 - (a qual estou digitalizando para posterior divulgação aos interessados)é feita refência ao Sr. Antônio: "Antônio e seus filhos, na Rua da Fábrica, dedicam-se à selaria, sendo os únicos nessa profissão" - página 20.

    Vandeir.
    17/6.

    ResponderExcluir
  8. Não me canso de ler e ver a postagem, queria no meu íntimo que todos que ainda tem seus pais vivos que os curtissem o máximo, a família é o nosso maior tesouro!
    Obrigado Dênio, Licínio e Léo!!!!

    ResponderExcluir
  9. Linda,linda.... a história do SENHOR CARLITOS,Pompeu precisa valorizar os filhos que tem dessa forma considerando oseio da humildade e não da podridão politica suja e coronelista!

    ResponderExcluir
  10. Quero comprar uma sela como faço

    ResponderExcluir

Obrigado por comentar nossa postagem. Ah... não se esqueça de se identificar.