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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Caminhos do ouro: Pitangui - Goiás

À esquerda, a suposta Estrada Real (ou caminho do ouro) de Pitangui.

Os fatos históricos analisados cronologicamente dentro de um espaço geográfico se complementam e se interligam. Assim também eram os caminhos do ouro abertos no pelo interior do país – a partir de diversas trilhas criadas pelos primeiros habitantes do Brasil (os denominados índios) – por onde circulavam pessoas e riquezas. Já as fontes históricas são às vezes escassas e precisam ser garimpadas e juntadas como uma colcha de retalhos. 

 
Caminhos rumo ao interior (cartaz existente no Museu das Lavras do Ouro. Pirenópolis-GO). 

Havíam caminhos do ouro que ligavam as Minas Gerais às minas de Goiás (nome dado em razão dos índios Goyases), inclusive, segundo fontes históricas, uma dessas picadas foi aberta em Pitangui até Paracatu para encurtar a distância para Goiás. Os relatos históricos reforçam a existência deste trajeto:  “Pitangu foi durante o século XVIII um importante foco de mineração aurífera porta de entrada para o sertão oeste, passagem obrigatória para muitos que se dirigiam às Minas de Goiás. A transformação do arraial de Pitangui em Vila em 1715 conferiu àquele centro urbano papel central em todo aquele vasto sertão”. (CATÃO, 2011, pág. 11).


Caminho Paracatu-MG a Goiás. Fonte: http://www.ibsweb.com.br/pagina4/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=27&Itemid=46 

E há registros que afirmam a migração de Bandeirantes, que estiveram em Pitangui, para Goiás: Em 1717 o bandeirante paulista Bartolomeu Bueno da Silva [um dos primeiros colonizadores de Pitangui] abandonava suas propriedades na região do Rio da Velhas e partia com a família em direção ao oeste para desbravar os sertões goianos. Seu genro, Domingos Rodrigues do Prado, partiu ao seu encontro após a rendição dos rebeldes de Pitangui diante da tropa dos Dragões [Motim de 1720]. Os dois descobriram ricas minas de ouro (...). (FONSECA, 2011, pág. 162).

 
Imagens de "Piri".

Para ver o resultado prático dessas empreitadas históricas, o Blog Daqui de Pitangui foi até Pirenópolis-GO para  conhecer o outro lado dessa estrada. Por lá, orientados no Centro de Informações Turísticas – CAT constatamos a existência de uma estrada colonial (perto da Fazenda Vaga-Fogo) que era um antigo caminho do ouro. E, observamos a que a arquitetura colonial da cidade é um testemunho da colonização e ocupaçãodo interior do Brasil no século XVIII. 


 
 Sede do museu.

  O Guia Amilton Siqueira.

 
Bateia para o garimpo do ouro (no canto direito).

Na busca da informação fomos ver os resquíssios da exploração aurífera e visitamos o Museu das Lavras de Ouro, em uma reserva que fica a cerca de 3 Km da cidade. No museu, fomos recepcionados pelo Amilton Teixeira Siqueira que além de proprietário do local, é o Guia que conduz os visitantes por um percurso de 2 Km dentro da mata ciliar do Rio das Almas, que abriga uma vasta galeria (canais) composta por muros de pedra, usados para a lavagem do ouro. Siqueira explica que além do ouro de aluvião (encontrado nas margens e no leito do rio) o metal era localizado dentro de pequenas formações rochosas da região que eram quebradas pelos garimpeiros da época.


Formação rochosa explorada no garimpo.
 
Início da trilha com as lavras do ouro.

Possuidor de grande consciência ambiental, depois de contar várias histórias, o Amiltom disse que além de plantar árvores típicas do cerrado teve a iniciativa de conservar a vegetação nativa e vê no turismo ecológico e pedagógico uma forma de conservar a memória histórica de Pirenópolis de maneira sustentável. Para quem for por aquelas bandas, recomendamos o passeio. Serviço: Museu das Lavras de Ouro em Pirenópolis há 3 Km do centro, na estrada para a cachoeira da Usina Velha e Meia Lua. Informações (62) 8134-4313 / 9116-7902.

 Percorrendo as galerias das lavras do ouro.

Frequentador de Pirenópolis desde a época da Faculdade identifico naquela cidade (que vive basicamente do turismo) um excelente  modelo de gestão turística e tenho a certeza de que Pitangui também tem muito a ganhar com esta atividade.

Desvio do curso do rio para a garimpagem.

 
Rio das Almas (Pirenópolis-GO).

Valorizando os nossos atrativos como por exemplo as “Minas do Batatal”; criando roteiros turísticos (fazendas e alambiques, igrejas, casarões e quintais, trilhas e serras); e criando os festivais (música, gastronomia, inverno) o turismo pode ser uma realidade, se houver atuação e intervenção política para investir e captar recursos. Para isso é preciso acreditar, empreender, porque muito além do que restou do nosso rico acervo histórico, a nossa cultura é feita de gente, é móvel, dinâmica e precisa ser exercitada.

 Pitangui: berço do centro-oeste mineiro.

Em seus 300 anos, as histórias e estradas de Pitangui também são reais (Vandeir Santos).

 
O nosso caminho do ouro.

Fotos e texto: Leonardo Morato.

Fontes da pesquisa:

- CATÃO Leandro Pena (Org.) Pitangui Colonial – História e Memória. Editora Crisálida. Belo Horizonte, 2011.
- CAT – Centro de Informações Turísticas de Pirenópolis-GO (Pesquisa In Loco). Fevereiro de 2013.


- FONSECA, Damasceno Cláudia. Arraiais e Vilas D’el Rei – Espaço e poder nas Minas setecentistas. Editora UFMG. Belo Horizonte, 2011.
- Guia Turístico, Histórico e Cultural do Estado de Goiás. Editora AGP Artes Gráficas & Publicidade. Ano 2. 2ª ed. Goiânia, 2001.
- In Loco. Pesquisa de campo. Pirenópolis-GO, fevereiro de 2013.


- KEATING Vallandro & MARANHÃO Ricardo. Caminhos da Conquista – A Formação do Espaço Brasileiro. Editora Terceiro Nome. São Paulo, 2008.

2 comentários:

  1. Que bela postagem, Leo! Excelente passeio, hein? Esta sua expedição é a prova de que, se Pitangui receber o mesmo tratamento turístico concedido a Pirinópolis, poderá atrair muitos visitantes - e lucrar com isso.

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  2. Valeu pelo comentário, Ricardo! A organização turística daquela cidade é o resultado do profissionalismo e do senso de coletividade! Sim, Pitangui pode mais! Um abraço.

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