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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

"Conversa com um médico da roça"

Na postagem de hoje reproduzimos mais uma crônica escrita pelo médico Joaquim Patrício - Vandeir Santos nos explica que Joaquim Patrício era o pseudônimo do realmente médico Agenor Lopes Cançado Filho, filho do farmacêutico Major Agenor Lopes Cançado que morava e tinha farmácia onde hoje é o Banco do Brasil - e publicada em seu livro de memórias "Figuras e Fatos de meu tempo", onde ele descreve o cotidiano de Pitangui, nos primeiros 25 anos do século XX. Elegemos a crônica "Conversa com um médico da roça", pois, ela nos permite perceber como era o cotidiano de um médico, no interior de Minas Gerais, no início daquele século, como, também, a vida das pessoas que viviam na roça naquele tempo. Tenho certeza que vocês irão se deliciar com esta leitura. 
A título de esclarecimento, publicaremos o texto confirme está no livro, cuja edição é de 1964, por isso, não estranhem a forma da escrita, esta era a norma culta para a escrita naquele período.


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CONVERSA COM UM MÉDICO DA ROÇA

Impressionante o desconfôrto em que vive a nossa população rural, o homem "da roça" está habituado a morar em ambiente sórdido, sem nenhuma condição de higiene, ainda a mais rudimentar. Habitações de aipa com as frestas infestadas de sevandijas, chão de terra batida e teto de sapé, resistem à gametisação mais rigorosa.
De uma eu sei, onde o desinfetante, agindo sôbre os triatomas, buliu também com dois ofídios, dos mais venenosos, que dormiam calmamente na melhor comunhão com os habitantes da casa!
Nas minhas andanças para acudir doentes, atravessei a váu grandes rios, subi e desci muitas serras e pude meditar na miséria que havia por tôda parte. Com a terapêutica rudimentar de que então dispunha, mais consolei do que curei e era triste verificar a fraqueza de meus recursos frente à doença!
Sem os antibióticos de que os clínicos modernos tanto abusam, sem a cortizona e as sulfas que hoje fazem milagres, com mágoa no coração, eu sentia a minha impotência na tentativa de curar. Foi por isso que abandonei a clínica e sem deixar a arte de Galeno, enveredei para o ramo da Medicina Social, bem mais interessante e cheia de atrativos, confortadora e realista...
A mim me repugnava examinar doentes, para os quais o banho era um acontecimento e em cuja cabeça parasitas sórdidos faziam seus passeios. Vi crianças sujas. de ventre enorme, prenhe de helmintos, para as quais o médico era ser maravilhoso, e que chupavam gostosamente o indicador, gostoso como o melhor charuto de Cuba.
A folhinha de Mariana se destacando amarelada, na parede da "sala principal", fazia previsões do tempo e orientava o lavrador sôbre a época de plantar e de colhêr. No quintal, uma galinha magra cocoricava assustada, prevendo o próximo fim, e ao lado da bica de água cristalina, verdejava o mangericão, de cheiro agradável, indiferente à sujeira do meio.
Nunca faltava vidro de creolina usada para matar bernes. Fiz sérias intervenções obstétricas, só com a proteção do desinfetante. Nas estradas deixava à vontade o "Condomínio", bucéfalo amigo, meu companheiro de andanças.De quando em vez, uma cruz rústica, à margem da estrada, denunciava ao caminhante o local em que mal súbito ou tiro traiçoeiro de uma picapau fêz cair cristão desprevenido. Flor Roxa ainda fresca, colhida na vizinhança, revelava o carinho de quem passou, prestando essa homenagem ao morto desconhecido.
Eu era moço, sadio, tinha alegria de viver. Às léguas não me assustavam. Voltava alegre quando podia roubar às Parcas algum doente que atendeu às teriagas de minha indicação. Sol a pino, parava para dessendentar e olhava os horizontes sem lindes de minha terra bonita! Seriemas passavam correndo, assustadas e soltando guinchos. Eu colhia flôres silvestres e se era agôsto, todos oa altares da minha santa se enfeitavam com o dourado das flôres do ipê.


FONTE:
PATRÍCIO, Joaquim. Figuras e Fatos de meu tempo: contribuição ao estudo da vida social e política de Pitangui no primeiro quartel dêste século. Belo Horizonte: Bernardo Alvares, 1964, p. 43-44.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Comerciantes protestam contra a falta de segurança pública

Um grupo de comerciantes pitanguienses se reuniram hoje, em frente à Matriz de Nossa Senhora do Pilar para protestarem contra a falta de segurança pública no município, que vem enfrentando a bastante tempo uma onda de assaltos e violência assustadora. O Blog "Daqui de Pitangui" esteve presente à manifestação, que ocorreu às 08:00 de hoje.

Foto: Licínio Filho
Foto: Licínio Filho
Duas emissoras de televisão da região, TV Alterosa e TV Integração, estiveram presentes fazendo a cobertura e entrevistando alguns dos comerciantes que compareceram. Aliás, era para ter mais gente presente, pois reclamar sem participar demonstra a falta de articulação da sociedade civil em Pitangui.

Foto: Licínio Filho
Um dos comerciantes presentes, assaltado recentemente, afirmou, que, diante do quadro de insegurança presente em Pitangui irá encerrar suas atividades, pois, não se sente em condições de trabalhar. Um estabelecimento comercial que se fecha em Pitangui significa menos emprego e menos arrecadação de impostos. É assim que Pitangui chegará aos 300 anos? Era a pergunta que se fazia, em uma roda de conversas entre os comerciantes.

Foto: Licínio Filho

Foto: Licínio Filho
Os comerciantes relataram, que ocorrem, em média, quatro assaltos todos os dias em Pitangui. Além do prejuízo financeiro e material os criminosos têm usado da violência contra os proprietários e funcionários dos estabelecimentos comerciais da cidade. Afirmam ainda, que os assaltos ocorrem à luz do dia e durante a noite.
Giovanni Júnior, filho dos proprietários da Padaria Silva, nos relatou que o estabelecimento comercial da família já foi assaltado inúmeras vezes, sendo que, em um dos assaltos uma funcionária foi baleada na mão. O pai de Giovanni, se diz revoltado com a situação que a cidade se encontra, no que foi apoiado pelos demais comerciantes presentes.
Os comerciantes afirmam que a atual gestão municipal prometeu em campanha, melhorar a segurança pública no município. Um dos comerciantes, inclusive, trazia um panfleto distribuído durante a última campanha eleitoral, onde o candidato, que atualmente ocupa a prefeitura, prometia inúmeras realizações em vários setores, inclusive, no que diz respeito à segurança pública, mas segundo os depoimentos, até agora não foi feito nada. Afirmam que se mobilizarão para exigir que as promessas sejam cumpridas, caso contrário darão uma resposta nas urnas, no próximo pleito.


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

300 anos da Vila do Príncipe - Serro

Parabenizamos a cidade do Serro que hoje comemora seu tricentenário. 


     Igreja de Santa Rita e sua escadaria

Sede de uma das quatro primeiras comarcas da Capitania das Minas Gerais, a antiga Vila do Príncipe do Serro Frio, hoje, cidade do Serro, ainda guarda as características das vilas setecentistas mineiras, o que lhe valeu ser o primeiro município brasileiro a ter seu conjunto arquitetônico e urbanístico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em abril de 1938.




 Em 1702, uma bandeira chefiada por Antônio Soares Ferreira descobriu as minas de ouro de Ivituruí, que em língua indígena significa Serro Frio, um “nevoeiro denso que invade a parte alta da serra, acarretando grande baixa de temperatura e sendo acompanhado de vento mais ou menos forte e constante”. Assim, é descrito o típico clima da região.



Escultura "Santíssima Trindade" do artista serrano, Zé Dias

Casa do Barão do Serro

Centro da cidade, visto da Igreja de Santa Rita


 Em pouco tempo, um grande número de aventureiros chegou ao local atraídos pelo ouro que brotava fácil nas cabeceiras do Rio Jequitinhonha e seus afluentes. Em 1711, o sargento-mor, Lourenço Carlos Mascarenhas, foi nomeado superintendente das minas de ouro da região para manter a ordem e a justiça. A prosperidade do arraial motivou, então, sua elevação à vila no ano de 1714, quando, então, ganhou o nome de Vila do Príncipe. Com a criação da Comarca do Serro Frio, a vila passou a ser sede da comarca.  Em 6 de março de 1838, a vila foi elevada à cidade com a denominação de Serro.



Centro da cidade


Descrição do viajante francês Saint-Hilaire, do princípio do século XIX, a respeito do Serro Frio.


centro da cidade





Suas igrejas impressionam pela qualidade da ornamentação e pela pintura em perspectiva nos forros. Ao lado do seu acervo histórico-arquitetônico, representado pelos belos monumentos religiosos e notável conjunto de sobrados, o Serro guarda também outro importante aspecto de sua riqueza cultural do passado: as tradições folclóricas, as festas religiosas e a peculiar gastronomia. O Queijo do Serro, o mais famoso produto da região, foi o primeiro bem registrado como Patrimônio Imaterial de Minas Gerais (2002) e é também Patrimônio Imaterial do Brasil (2008).




Escadaria da Igreja de Santa Rita e o casario da cidade

 Igreja de Santa Rita


Queijo do Serro, o melhor do mundo
(foto: http://www.flogao.com.br/serromg/profile)


Fotografias: Dênio Caldas
Fonte: serro.tur.br




terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Licínio Filho


Parabenizamos hoje, o nosso colega Licínio Filho pelo seu aniversário. Que a estrada, além da poeira do caminho, possa lhe trazer muita alegria e paz. Parabéns e tudo de bom Professor ... Abraço em nome do Léo e do Vandeir, meu caro !!!! 


Licínio e seu Pai, Sr.Licínio, nos idos de 80


O pó da estrada ... de Sá e Guarabira

Apesar das minhas roupas rasgadas,

Eu acredito que vá conseguir,
Uma carona que me leve pelo menos à cidade mais próxima,
Onde ninguém vai me olhar de frente,
Quando eu tocar na velha guitarra,
as canções que eu conheço
Eu tinha apenas dezessete anos,
No dia em que saí de casa,
E não fazem mais de quatro semanas 
Que eu estou na estrada,
Mas encontrei tantas pessoas tristes,
Desaprendendo como conversar
Que parece que eu estou carregando os pecados do mundo,


domingo, 26 de janeiro de 2014

Inauguração do "Cine-Teatro Rex", em 1945.

Acervo Instituro Histórico de Pitangui
O jornal Município de Pitangui, trazia em sua edição, de de 04 de novembro de 1945, página, 4, a notícia sobre a inauguração de uma casa de espetáculos localizada na Martinho Campos. Clique na imagem para ampliá-la e ler a programação de inauguração do referido estabelecimento. Hoje, Pitangui não tem teatro, nem cinema.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Manifestações de fé e festejos populares

Festa da Penha - A chegada do Mastro.

Garimpando imagens no arquivo do Blog, encontramos registros de dois eventos importantes ocorridos recentemente em Pitangui: a Festa da Penha, em 31/7/2010, com a tradicional procissão do Mastro, em homenagem a Santo Antônio; e o cortejo da Sexta Feira da Paixão de Cristo, na Semana Santa, em 22/4/2011.

Ô num bambeia não!

As expressões de fé e religiosidade dos pitanguienses, nos permitem afirmar que as  nossas festas populares, com a mistura do sagrado com o profano, são também tradições culturais e históricas.

Música, versos e alegria.

Semana Santa  - Pelas ruas de Pitangui

 Luz e Fé.

 Religião e arte.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O lixo nosso de cada dia


Sábado no centro (2013).

Em uma conversa informal nos bares da vida, um Pitanguiense - de família tradicional e pensante - relatou que ao contemplar as fotos antigas de Pitangui e fazendo uma comparação com a paisagem urbana atual, a impressão que se tem é que a cidade encolheu (principalmente o centro baixo). Acreditamos que essa percepção seja proveniente do aumento do número de veículos circulando e o aumento da população. E com a alteração dos hábitos de consumo, das mudanças nas relações comerciais e nas formas de produção ao longo de décadas, a geração do lixo cresceu na mesma proporção. 

"Carrocinha" para o recolhimento do lixo reciclável.
Fotos: Léo Morato.

Você já pensou na importância do serviço de limpeza urbana e dos catadores de material reciclável para a manutenção da higiene, preservação do meio ambiente e organização da cidade? Passando ali pela Rua dos Azevedos, no centro, flagramos essa “engenhoca” (presente nas grandes e pequenas cidades) fabricada para recolher e transportar o lixo.  Aí está uma gambiarra de grande utilidade. Em outra oportunidade abordaremos sobre a correta destinação do lixo produzido na cidade (para a conservação ambiental e a manutenção da qualidade de vida) e o papel de cada um de nós neste processo.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Pitangui e a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial

Acervo do Instituto Histórico de Pitangui
A partir de 1941 vários navios mercantes brasileiros foram torpedeados por submarinos alemães levando o Brasil a romper relações diplomáticas com as Potências do Eixo, em 28 de janeiro de 1942. As agressões por parte da Alemanha continuaram e, em 22 de agosto daquele ano, após o torpedeamento de mais seis navios brasileiros, causando a morte de mais de 600 pessoas, o Brasil declarou guerra às forças do Eixo, no contexto da Segunda Guerra Mundial.
A entrada do Brasil naquele conflito mundial repercutiu imediatamente em Pitangui. Nesta postagem apresentamos a primeira página do jornal "Município de Pitangui", de 23 de agosto de 1942, ou seja, um dia após o Brasil declarar guerra ao Eixo. A manchete estampada "Um dia de intensa vibração cívica em Pitangui" e a matéria de página inteira relata como a população de Pitangui reagiu com a notícia da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial. As manifestações de apoio, ao então, Presidente Getúlio Vargas e de repúdio aos ataques alemães ocorreram por toda cidade. Clique na imagem para ampliá-la e leia a matéria.
Sabemos que vários cidadãos pitanguienses se alistaram nos quados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e lutaram nos campos de batalha da Itália.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Barroquices contemporâneas

 Telhados Pitanguienses.

O que é o barroco? Um tempo, um estilo de artes, uma forma arquitetônica? Sim.  É um movimento que teve início na Itália e veio (ou foi trazido) para ser recriado e aprimorado por aqui, do outro lado do atlântico?  Também. Mas o barroco são essas barroquices contemporâneas. É ver um telhado antigo e imaginar quanta histórica há por debaixo, é valorizar o passado e viver o presente sem perder o futuro de vista; é conservar as raízes, valorizar os costumes antenado com o mundo. É admirar o casarão e eternizá-lo na web. É ver a sofisticação no simples. É ser autêntico, reinventar, é descobrir uma outra forma de fazer sem perder a tradição, é um outro olhar sobre as coisas. É uma visão de mundo que busca a fusão do velho com o novo? Barroco são essas barroquices contemporâneas e atemporais que temos dentro da gente.

 O passado no presente.
Fotos: Léo Morato.

"Era pelos sentidos e pela imaginação, e não pela razão que o Barroco conquistava o homem".
 (Afrânio Coutinho).

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Jovens Desenhistas Pitanguienses - 2ª Parte - Lukas Montteiro



     A precocidade também é uma característica do pitanguiense Lukas Montteiro, este jovem desenhista de 22 anos começou a desenhar aos 5 anos vendo a atuação do próprio pai que é pintor.


Lukas Montteiro com a caricatura do prefeito Marcílio Valadares - Foto: Vandeir Santos
     Com o tempo ele expandiu seu dom artístico para além das linhas e se enveredou também nas artes musicais aprendendo a tocar piano e a cantar.

     Mas o forte deste artista é mesmo a arte da caricatura, exercendo esta atividade em festas, shows e eventos em geral  o que não impede que trabalhe também com pinturas, desenhos hiper-realistas e quadrinhos.
Lukas Montteiro fazendo a caricatura de um casal - Foto: Vandeir Santos

     Quem se interessar em entrar em contato com Lukas os canais de comunicação são:

Celular: (37) 9977 2870


Twitter/Facebook @lukasmontteiro
 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Caminhando com a História de Pitangui: 2004

Acervo: Alexandre Barros
 Resgatamos, através de fotos cedidas por Alexandre Barros, alguns momentos do "Caminhando com a História de Pitangui", de 2004. Podemos perceber o envolvimento da comunidade, que atuou e também acompanhou todo trajeto de encenações. Marcos Antônio de Faria (Barrica) foi o idealizador deste evento.

Acervo: Alexandre Barros

Acervo: Alexandre Barros

sábado, 18 de janeiro de 2014

Professora Adelan Brandão: uma vida dedicada à História de Pitangui

O Blog “Daqui de Pitanguy”, entrevistou a professora Adelan Maria Brandão, nascida na Fazenda do Cercado (atual Bom Despacho), então distrito de Pitangui, em 10/01/1934. Neste encontro, no Instituto Histórico de Pitangui, ela nos falou um pouco de sua trajetória docente e também sobre seu trabalho junto ao Instituto Histórico de Pitangui. Confira abaixo, a entrevista.

Foto: Licínio Filho


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A CARREIRA COMO PROFESSORA

Licínio Filho:
 _ Eu gostaria que a senhora falasse sobre sua trajetória como professora em Pitangui.

Adelan Brandão:
_ Com 17 anos me formei, na então, Escola Normal Monsenhor Arthur de Oliveira. Mesmo antes de me formar já fazia substituições de professoras em licença, no Grupo Escolar Francisca Botelho.

Licínio Filho:
_ E depois de se formar, como foi o início de sua carreira docente?

Adelan Brandão:
_ A primeira turma que assumi foi de 7ª série (atualmente 8ºano).

Licínio Filho:
_ Isto foi por volta de 1951?

Adelan Brandão:
_ Sim, 1951!

Licínio Filho:
_ Qual foi o impacto dessa nova experiência?

Adelan Brandão:
_ Eu comecei a lecionar como professora designada, no Grupo Escolar José Valadares. Eu substituía uma professora que estava de licença. Nesta época, as turmas eram divididas conforme o segmento social dos alunos, AN 1, AN 2, AN 3. Então eu comecei a trabalhar com crianças pobres, que não tinham nem material didático ou cadernos, eles frequentavam a escola por causa da refeição servida na merenda, isto me marcou muito. Minha irmã, que já era uma professora reconhecida em Pitangui, me ajudou muito, me orientando como trabalhar com aquelas crianças, me disponibilizando até mesmo os materiais que ela confeccionava para trabalhar em sala de aula.
A escola não dava muita atenção a este tipo de criança, então eu comecei a trabalhar com eles hábitos de higiene, lavar as mãos, estas coisas. Minha mãe fazia umas toalhas de saco branco para eu levar para a escola, pois muitos alunos iam sem tomar banho e eu cuidava deles. Meu pai tinha um armarinho. Eu sempre pegava cadernos lá para levar para os alunos. Orgulho-me de ter conseguido bons resultados com estas crianças. Trabalhei como professora primária até 1963. Depois trabalhei, até 1976, com classes anexas e no Monsenhor Arthur, no curso colegial, criado pelo professor Elvécio.

Licínio Filho:
_ Quando a senhora começou a lecionar no ensino superior?

Adelan Brandão:
_ Em 1975, no dia 15 de março de 1975, na Faculdade de Ciências e Letras de Divinópolis (hoje FUNEDI). Em 1976 eu me transferi para aquela cidade. Sou concursada nas cadeiras de História política, econômica, social, geral e do Brasil e Antropologia. Lá lecionei até 2004. A partir daquele ano me transferi para Pitangui para prestar serviço no Instituto Histórico, a convite do Marcos Antônio de Faria (Barrica), para cuidar da organização do acervo do Arquivo Judiciário, juntamente com professores da FUNEDI, do curso de História e estagiários, durante a gestão do prefeito Eduardo Lopes Cançado.


A RECUPERAÇÃO DO ACERVO DOCUMENTAL DO IHP

Licínio Filho:
_ Como foi o início do processo de recuperação dos documentos do Arquivo Judicial de Pitangui?

Adelan Brandão:
_ No início, foi muito importante a ação do José Luiz Peixoto, então secretário de Cultura, ele foi muito importante neste processo de recuperação. O Jorge Mendes Guerra Brasil também teve papel relevante, me ajudando a percorrer o comércio da cidade para angariar doações para podermos iniciar os trabalhos.

Licínio Filho:
_ Como se deu o envolvimento da FUNEDI neste processo?

Adelan Brandão:
_ A FUNEDI e a Prefeitura de Pitangui firmaram um convênio, ainda na gestão do Eduardo. O apoio do prof. Gilson Soares, Presidente da FUNEDI foi muito importante. Foi ele que me disse que o processo de recuperação do Arquivo Judicial só caminharia com o meu envolvimento, pois sabia do meu envolvimento com a história da cidade, sou uma das fundadoras do Instituto Histórico de Pitangui. Os trabalhos de recuperação tiveram início tendo a frente a professora Marisa Guerra de Andrade e do professor Francisco Andrade. Atualmente os trabalhos estão sob orientação do professor Leandro Catão.

Licínio Filho:
_ Atualmente, como está o andamento do processo de recuperação do Arquivo Judiciário?

Adelan Brandão:
_ Temos enfrentado dificuldades. Na primeira gestão do prefeito Evandro Rocha Mendes houve apoio da prefeitura, mas, em seu segundo mandato retirou a ajuda ao Instituto Histórico. O Cezar Miranda presidia o Instituto e firmou um convênio com a SAP, que também não foi mantido. O Cezar tirou dinheiro do próprio bolso para manter os trabalhos em andamento. Atualmente o IHP é presidido pela Maria José Valério, que tenta captar verbas. No início de 2013 os trabalhos de recuperação foram interrompidos por falta de recursos. Em julho do ano passado foi firmado novo convênio com a prefeitura, mas os recursos ainda não são suficientes. Os trabalhos junto à equipe da FUNEDI só serão retomados entre março e abril deste ano.

Licínio Filho:
_ Além dos recursos captados por meio de convênios, quais são as fontes de renda do IHP?

Adelan Bradão:
_ Os associados do IHP contribuem anualmente com R$50,00. Além disso, contamos com doações vindas da sociedade civil.

Licínio Filho:
_ Em termos materiais, o que falta hoje, no IHP, para que os trabalhos de recuperação do Arquivo Judicial tenham continuidade?

Adelan Brandão:
_ Falta materiais como pastas, caixas arquivos, borracha, lápis, papel alcalino, que são fundamentais para a continuidade de nosso trabalho.

Licínio Filho:
_ Qual a importância da recuperação e preservação deste arquivo documental?

Adelan Brandão:
_ São fontes primárias importantíssimas para o desenvolvimento da pesquisa sobre a história regional, de Minas Gerais e do Brasil. A diversidade de documento é impressionante e revelam aspectos muito importantes do cotidiano em Pitangui e na região centro-oeste do estado de Minas Gerais, nos séculos XVIII, XIX e primeiras décadas do século XX. Recebemos pesquisadores de todas as partes do Brasil e também do exterior. Estamos lutando para concluir este processo de recuperação dos documentos do Arquivo Judicial. A recuperação não encerra os trabalhos, temos que digitalizá-los e acomodá-los em local adequado. Isto vai ser uma outra luta.

Licínio Filho:
_ A senhora gostaria de aproveitar a entrevista para mais algumas considerações?

Adelan Brandão:
_ Primeiramente gostaria de agradecer a sua colaboração e, também, do blog “Daqui de Pitanguy” com a causa do Instituto Histórico de Pitanguy. Aproveito para convocar as pessoas a ajudar o IHP. Quem tiver interesse em ajudar-nos podem fazer contato pelo telefone do IHP: (37) 3271-1837.

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O Instituto Histórico de Pitangui funciona de Terça a seta-feira, das 08:00 - 16:00 h.
Atualmente ocupa o 2º andar do Banco do Brasil, no centro de Pitangui.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Pequenos anúncios no Jornal "A Realização", de 1883


Em sua edição de 14 de outubro de 1883, o jornal Pitanguiense, "A Realização" trazia na página 4 estes dois anúncios (clique na imagem para ampliá-la), que nos permitem entender um pouco do cotidiano da cidade naqueles tempos.
No primeiro anúncio o médico Francisco Baia da Rocha, comunica que atende a qualquer hora do dia e da noite, além de consultar gratuitamente as pessoas carentes. Pena que médicos assim estão cada vez mais raros.
No segundo anúncio refere-se à formação de professores. Em 1883, Pitangui ainda não tinha uma escola normal, quem desejasse seguir o magistério teria que buscar formação fora da cidade. No caso deste anúncio, o Sr. Alfredo José de Oliveira informava que habilitava professores para cadeiras de escolas primárias de primeiro e segundo grau. Detalhe: o Sr. Alfredo residia em Ouro Preto, então, capital do estado de Minas Gerais. A vida de professor no Brasil, desde muito tempo, nunca foi fácil.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Pitanguy: 1935


Nesta postagem apresentamos algumas fotos, que encontramos no CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. Trata-se de uma série de fotos datadas de 1935, quando da visita do, então, governador do Estado de Minas Gerais, Benedito Valadares e sua comitiva à Pitanguy.


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Festival Santo Paladar - Comida de Buteco

 Divulgação: Prefeitura Municipal.

O mês de janeiro em Pitangui é tradicionalmente convidativo, porque é um período em que, nas férias escolares, muitos filhos e netos visitam a aconchegante "casa da vó" e reencontram a família e os velhos amigos. Neste janeiro os pitanguienses e visitantes têm um incentivo a mais para estarem na cidade, pois acontece o Festival Santo Paladar - Comida de Buteco. O evento promovido pela Secretaria de Cultura, será realizado entre os dias 16 e 31 de janeiro de 2014, com o objetivo de valorizar a gastronomia local (em especial os petiscos de nossos bares e biroskas) e de promover a interação cultural na Velha Serrana. Participe!!!
Links relacionados:
- http://daquidepitangui.blogspot.com.br/2013/05/hoje-e-dia.html Para saber mais sobre a culinária pitanguiense, acesse os marcadores ao final desta postagem.

E para quem procura agito, no dia 17 de janeiro tem o Aquecimento de Carnaval, com as bandas Molejo, Amigos do Samba e DJ Alan Passos.