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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Marcondes Machado e o Canal Bambu

Divulgamos hoje mais uma pérola de William Santiago que, em seu "croniconto", faz uma bela homenagem a Marcondes Machado, o desbravador das ondas rádio-televisivas e telefônicas pitanguienses. Eu sou suspeito para falar, pois tive a oportunidade de conviver um pouco com ele, mas quem conheceu o saudoso Marcondes, sabe da genialidade, grandiosidade e generosidade daquele homem. Pitanguiense, nascido em 11 de janeiro de 1924, casado com D.Olga Alves Machado, Pai de Sandra Machado, Suely Machado, Merivone Machado Lopes de Oliveira, Marcondes Machado Filho, Eduardo Machado, Denise Machado, Mário Lúcio Machado e Franck Machado, Marcondes defendeu os interesses da nossa cidade, com "unhas e dentes", por vários anos. 


Marcondes ao centro

Por William Santiago:

Este croniconto (mistura de crônica e conto) é dedicado à memória de um pitanguiense notável, pouco conhecido pelas gerações atuais. Especializado em eletrônica, Marcondes Machado foi comerciante, vereador honorário (sem salário) e diretor do Clube Atlético Pitanguiense. Foi ele quem trouxe tevê, rádio e telefone para Pitangui, numa época em que tudo era difícil, a começar por ter de encarar as resistências às novidades, características próprias das cidades interioranas das décadas de 50 e 60 do Sec. XX.

Canal Bambu

Marcondes à direita

O pai e a mãe escutam "Casamento no Uruguai", o disco do Patesko Nunes, na radiola comprada na loja do Marcondes Machado. O aparelho de tevê também foi comprado lá. Um dia, no catecismo da Dona Zulma, no Grupo Novo, foram chamar o garoto: "Ele pode sair mais cedo?" A Dona Zulma deixou, bom aluno tinha regalias.
A mãe radiante: "Tem uma surpresa lá em casa." Era a tevê. Nunca houve coisa mais linda, móvel de imbuia, combinando com a radiola. Transmitia em preto e branco, mas parecia azul. Um azul sem comparação, que nunca mais existiu. Na tela, a propaganda do fogão Gardini, com Clausi Soares, ao vivo. Nunca houve mulher mais linda!

Jornal Município de Pitangui

Mas a tevê dava mais tristeza que alegria. Vivia fora do ar. A TV Itacolomi, Canal 4, sempre na liderança, não parava na tela. Será que o pai era um daqueles que não pagou o TV Clube de Pitangui, que foi dissolvido por falta de pagamento? "É com pesar que tomamos tal atitude, assinado Marcondes Machado." Estava encerrado o projeto "TV Clube de Pitangui", em 12/12/1965.
A programação da Itacolomi começava ao meio-dia, parava à meia-noite. Simples assim: avisavam que iam parar, davam boa noite, entrava a imagem do indiozinho, depois "fervia". Era o que dizia a gente: "Ontem fui dormir tão tarde que a televisão já tava fervendo". O barulho era de fritura e a imagem parecia uma passeata de micróbios. É que tinha acabado a programação. Era a TV Itacolomi, Canal 4, sempre na liderança, Canal 4, Belo Horizonte, Minas Gerais, Edifício Acaiaca, último andar, Afonso Pena com Bahia.


                     Jornal Município de Pitangui - Março/1973

Mas sempre havia o dia seguinte, tudo recomeçava ao meio-dia. Quem não queria rever as irmãs Clausi mais a Cleusa Soares, garotas-propaganda ao vivo, falando da Ingleza Levy, Dogali Magazin, Drogatel Araújo e Gurilândia? Quem não queria ver Rômulo Paes e coisas mais, falando de música, de carnaval? Quem não queria ver o Clássico das Multidões, Atlético e América no Independência, ou o "derby" Atlético e Cruzeiro. Ou Renascença e Sete de Setembro; Asas, de Lagoa Santa, contra o Democrata, de Sete Lagoas. Ou o clássico Me-Me, Meridional, de Conselheiro Lafaiete, contra o Metalusina, de Barão de Cocais. Quem não gostava de ver "Garrafa do Diabo", teatro ao vivo, à meia-noite, só aos domingos?



Mais tarde apareceram a TV Alterosa, a TV Belo Horizonte, TV Excelsior e outras e outras. Em casa, as crianças queriam ver Viagem Submarina, os adultos o Repórter Esso, os adolescentes adoravam futebol.  E Marcondes era o salvador da Pátria. Tanto era que, mesmo estando em Belo Horizonte, os meninos imaginavam a Rural subir a Cruz do Monte pra consertar a torre de tevê. Gente, ele foi ao Mineirão, explicava o pai, hoje tem Atlético e Cruzeiro, gente, hoje ele não vai subir a serra pra arrumar a tevê.
 Quando não havia mais esperança, o pai subia no telhado, ia girando o bambu que sustentava a antena. Vira pra Serra dos Ferreira? Lá pega. Um dos filhos no quintal, olhando o pai no telhado, outro na janela, o terceiro na frente da tevê. "Melhorou?", gritava o pai. O do quintal: "melhorou? O da janela para o da frente da tevê repetia a mesma coisa e o da tevê, sempre com a voz desanimada a dizer não, não, piorou, agora melhorou, é aí, ih, piorou de novo, sumiu, que nem na brincadeira de telefone sem fio, de chicotinho queimado, fubá torrado, tá frio, tá quente, esfriou, gelou, tá quente demais, pelando, pelando, ih, esfriou ... Polo Norte, Polo Sul. A imagem ia e vinha, mas nada de quietar. Hoje não dá pra ver o Brasa 4, do Dirceu Pereira. Vai tocar um povo de Pitangui, que pena!!!


                                      Marcondes ao centro

Marcondes tinha sempre uma novidade, uma carta na manga, um coelho na cartola. Na época da Barraquinha de Nossa Senhora do Pilar, montada no meio da Praça da Câmara, Marcondes punha no ar a Rádio Emissora Ptanguiense, a Caçula das Emissoras Brasileiras. Quinze dias no ar, todo ano.
A música da Barraquinha subia até a lua-cheia, aos astros e às estrelas, depois descia pela Cruz do Monte, ia à Praça da Matriz, descia a Rua do Nascente, subia a Paciência, entrava pelo coração do menino e o entregava em casa, são e salvo, no Beco dos Canudos. Em casa, antes de dormir, podia prolongar as emoções sintonizando a Rádio Emissora Pitanguiense, escutando:  "Nosso céu onde estrelas cantavam, de repente ficou mudo, e,  no encanto de tudo, quem sou eu, quem é você?" Quem era a menina cantora que vinha de Belo Horizonte, na caravana de Ubaldino Guimarães, junto com o coral "Os Cariúnas"? Era a voz mais linda do mundo.

Marcondes é o primeiro à esquerda

No campo do CAP, Marcondes não tem sossego pra ver o jogo. Alguém vem reclamar que falta água no Jatobá e na Olaria, ver se ele pode resolver. Afinal de contas, um vereador, apesar de não ganhar nada pra isso, tem uma responsabilidade. No campo de terra, o CAP vai perdendo para o CAP de Pompéu, o Iraci Severino parece que não vai aguentar o segundo tempo. O Carlos Cuié também não rende muito, está com o joelho inchado.  O Chiquinho Alfaiate tem que fazer substituição, não dá pra perder em casa! Ainda mais pra esses pompeanos!!!




Os primeiros telefones em Pitangui foi ele que instalou. "Pra que telefone, Marcondes? Pitangui é um cuxixó, você sobe no telhado do Banco Hipotecário e fala com qualquer um na cidade", alguém disse. Mas ele não escutou, queria os telefones na cidade. E conseguiu. Em pouco tempo, muita gente sabia a rotina. Levantava o fone do gancho, aguardava a telefonista: "Telefonista!".  E você dizia o número: " meia, quatro, meia". Em seguida, já estava falando em casa.
Acabou a música da radiola. Acabou a barraquinha de Nossa Senhora do Pilar. Pitangui cresceu, tem rádio, tem telefone fixo e celular. O vereador passou a ganhar. O futebol de Pitangui já não é o mesmo,. Tudo passou, tudo mudou.  O que não pode passar nem mudar é a gratidão por um pioneiro, um visionário chamado Marcondes Machado. 


Agradecemos ao Marcondinho por ter nos cedido 
as fotografias que ilustram a presente postagem.
E também ao William Santiago por mais esse resgate 
histórico e por dar ao daquidepitangui, 
a oportunidade e o privilégio da 
divulgação de suas ideias e escritos. 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

CURATIVO - Por Mara Nazar

Mara Nazar - Acervo pessoal.
Divulgamos hoje mais uma música publicada no Canal do Rohr - um espaço no youtube para  mostrar um pouco da obra musical do Prof. Reinaldo (Rohr) Pereira e parceiros. A música interpretada pela pitanguiense Mara Nazar é intitulada de Curativo e foi composta pelo Rohr Pereira, Jonba Freitas, William Santiago e Ricardo Nazar. Pela qualidade da composição e pela valorização da música de Pitangui vale a pena conferir.



Curativo. Produção do vídeo: Maíra Santiago.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Eleições 2014 - 2º turno

Mostramos o resultado do segundo turno da Eleição de 2014

Resultado em Pitangui


Eleitorado Apurado - 20.015 - 100%
Comparecimento: 16.323 - 81,55%
Abstenções - 3.692 - 18,45%


Aécio Neves da Cunha - 10.273 - 65,93 %
Dilma Vana Rousseff - 5.308 - 34,07 %

Brancos: 222 - 1,36%
Nulos: 520 - 3,19%


Resultado em Minas Gerais

Eleitorado Apurado: não divulgado
Comparecimento: não divulgado

Dilma Vana Rousseff - 5.979.422 - 52,41%
Aécio Neves da Cunha - 5.428.821 - 47,59%

Brancos - 176.025 - 1,47%
Nulos - 427.782 - 3,56%

A imagem faz um paralelo que mostra o resultado da votação de todos municípios mineiros. 
 Vermelho - Dilma
Azul - Aécio

Resultados no Brasil

Eleitorado Apurado - 142.821.358 - 99,99%
Comparecimento -112.683.879 - 78,90
Abstenções - 30.137.479 - 21,10%

Dilma Vana Rousseff - 54.501.118 - 51,64%
Aécio Neves da Cunha - 51.041.155 - 48,36%

Brancos - 1.921.819 - 1,71%
Nulos - 5.219.787 - 4,63%

Tanto o site do tse.jus.br, quanto o do tre-mg.jus.br, ainda não divulgaram a totalização final da apuração, restando apenas 0,01% (688 votos) a ser contabilizados, o que não influenciará no resultado final da apuração.

Essa consulta não inclui os eleitores que votaram em trânsito nos Estados.


Fonte: tse.jus.br
tre-mg.jus.br
uol.com.br





quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Sarau dos 90 anos de Patesko

     Na sexta-feira, dia 17 de outubro, a praça Antônio Fiúza foi palco de mais uma manifestação cultural onde a figura central foi o músico José Nunes de Oliveira – Patesko, o qual estaria fazendo naquele dia 90 anos de idade.

Foto: Vandeir Santos


Foto: Vandeir Santos

     O sarau organizado por José Carlos, filho do músico, teve a participação de familiares, amigos, representantes do Instituto Histórico, secretaria de cultura e músicos de Pitangui. A parte musical ficou por conta dos irmãos de Patesko que, ocupando o coreto que leva o nome da família, interpretaram suas principais músicas.

No violão, Jacinto. Em pé, Walter, Nírio e Letícia - Todos irmão de Patesko
Foto: Vandeir Santos

     O ponto alto da noite, sem dúvida, foi a execução do Hino de Pitangui composto por Patesko em 1965 e que depois de anos de esquecimento voltou a ser o tema de abertura de um evento público de Pitangui. Com a distribuição de um CD com primorosa gravação em estúdio do hino, acende a esperança de que a obra volte a ocupar o lugar devido nos eventos oficiais do município.

Em pé, Anderson, José Carlos e Altarir - filhos de Patesko. 
Sentados, Télvia, Edith e Edna - filha, esposa e irmã da esposa de Patesko
Foto: Vandeir Santos


     Durante o sarau foram exibidos vídeos com o histórico de eventos naquele local. O primeiro se deu no dia 09/06/1991 quando houve a inauguração do “Coreto dos Nunes”, família de secular tradição no meio musical da cidade. Nesta ocasião Patesko estava presente e participou da inauguração. O segundo ocorreu no dia 17/10/1995 quando o músico estaria fazendo 71 anos de idade, mas infelizmente o mesmo já havia falecido no dia 06/11/1992. Nesta ocasião foi fixada ao coreto uma placa com a letra do hino que Patesko fez para Pitangui a pedido do prefeito Professor Morato para as comemorações dos 250 anos da cidade.

José Carlos, filho de Patesko e organizador do evento
Foto: Vandeir Santos

     Foi comentário geral a necessidade de haver uma constância neste tipo de evento que resgata aquilo que denominei de MPP - Música Popular Pitanguiense. Para os 300 anos seria de extrema importância que valorizemos os artistas da terra cujo talento nada deixa a desejar aos demais representantes da MPB.

Vandeir Santos







terça-feira, 21 de outubro de 2014

Nossos Caminhos (Miragens)



Tem música nova no Canal do Rohr.

Nossos Caminhos (Miragens).
Letra e música: Reinaldo Rohr, Jonba Freitas, William Santiago e Ricardo Nazar
Intérprete: Ricardo Nazar e Paulinho Pedra Azul
Vídeo: Maíra Santiago

"De repente uma luz nasceu
Clareando meu caminho
E o caminho seu
Perguntando então
O que queremos mais
Se tudo está na verdade tão bom
Por que mudar harmonia e tom
Trazer conflito onde impera a paz
Nós temos que seguir
No mapa que se fez
O hoje é um sim 
O futuro um talvez

Por que a gente vive sempre assim
Inventando cartomantes
Bolas de cristal
Que tolice então
Por que antecipar
O sol de amanhã pode até nem brilhar
Buscar num vão num entrelinhar
No sim o não
Ah insensata razão
Nós temos que seguir 
No mapa que se fez
O hoje é um sim
O futuro um talvez"

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Julieta Cândida de Freitas: uma vida dedicada à educação

A postagem de hoje é dedicada à Professora Julieta Cândida de Freitas, que está se aposentando. No sábado, 18 de outubro, ela recebeu seus amigos na fazenda "Engenho Velho" para um almoço. Estiveram presentes, além de amigos e parentes, várias gerações de educadores pitanguienses, que foram confraternizar com Julieta.



Julieta trabalhou na extinta Escola Estadual Padre Belchior, que atendia ao segmento infantil, posteriormente passou a lecionar na Escola Estadual Francisca Botelho.







domingo, 19 de outubro de 2014

A Histórica Pitangui

Panorâmica da cidade. Foto: Léo Morato.
Clique na imagem para ampliá-la.
 
A história não é só o passado, não é só aquele sentimento bom de nostalgia. Ela é vivenciada todos os dias, no trabalho árduo, na luta por um ideal, no relacionamento com as pessoas e nos esforços coletivos para um objetivo comum. Assim, a nossa história, a história da tricentenária Pitangui é muito mais bonita que imaginamos.

INFÂNCIA
 
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
 
(Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Música e outras prosas

 José Carlos com o pessoal do Blog.

No sábado dia 4 de outubro, a turma do blog se reuniu para um encontro casual para colocar a prosa em dia, ouvir música, tomar uma cervejinha e inevitavelmente falar sobre temas daqui de Pitangui.
 Um "dediprosa".
A reunião foi na casa do professor Licínio e, além de um bom e inesperado friozinho, tivemos a agradável presença do Zé Carlos Oliveira, filho do Patesko. Em tempos de lei seca, às vésperas da eleição, o papo foi madrugada a dentro com um churraquinho de improviso, regado à boas conversas e um excelente  repertório musical apresentado pelo Licínio.
 Sobre cultura e outras bossas.
O Zé Carlos compartilhou conosco um pouco sobre a sua bagagem de vida e de música e relatou que - nas tratativas para divulgação e reconhecimento do Hino à Pitangui, do Patesko - ele está redescobrindo o carinho que sempre  teve pela cidade e se entusiasmando para novos projetos. Por falar nisso, nesta sexta dia 17 de outubro de 2014 o músico Patesko, pai do Zé Carlos, completaria 90 anos. Portanto, para celebrar a data, será realizado um Sarau na praça Antônio Fiuza, a partir das 19:00 horas.   
Na madrugada a vitrola rolando...

Conscientes da responsabilidade deste nosso trabalho voluntário ficamos felizes por convergir com pessoas, ideias e iniciativas a favor de Pitangui. Reforçamos este convite que não é só em homenagem ao Patesko, ou só aos Nunes, mas aos músicos e à boa música de Pitangui. Faça parte! SARAU CULTURAL - PATESKO 90 ANOS. Praça Antônio Fiuza, sexta 17/10/14 às 19 horas.

E para dar o tom da noite vamos com o saudoso de Amauri Xavier (filho do Patesko, irmão do Zé Carlos e pai do Rafael Marttins).

Sinos e capelas

Sinos e Capelas.
 

Na postagem de hoje mostramos um outro olhar sobre a cidade, um outro ângulo diferente da igreja de São Francisco de Assis. De onde essa foto foi tirada, alguém arrisca um palpite?

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Complementando esta postagem, informamos que a foto acima foi tirada lá da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, no bairro Lavrado, de onde se tem belas vistas da cidade.

O sino da igreja do Lavrado e a cidade.
Fotos: Léo Morato.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

"Dia do Professor": é preciso resistir e denunciar a precarização do trabalho docente.

Acervo E. E. Francisca Botelho

Hoje comemora-se o "Dia do Professor" e o blog "Daqui de Pitangui não poderia deixar esta data passar em branco. Nesta postagem parabenizamos os Professores e Professoras, mas, também, lembramos que essa data deve ser também de luta e conscientização da classe, pois, como bem disse o presidenciável Eduardo Jorge (PV), no último debate do primeiro turno, a profissão de Professor é a menos valorizada - e remunerada -  de todas as profissões que exigem curso superior. 
Não podemos ignorar e nem deixar os governantes esconderem a precarização do trabalho docente, como vem acontecendo no estado de Minas Gerais, onde o atual partido, que ocupa o Palácio da Liberdade, propaga para o Brasil inteiro que a educação pública, em nível fundamental é a melhor do Brasil. Não é preciso ir longe para desconstruir este discurso demagógico, basta visitar a Escola Estadual Gustavo Capanema, em Pitangui. Lá, por falta de espaço físico, a direção teve que abrigar uma turma do ensino médio no porão de uma Igreja, ao lado da escola, E mais, a biblioteca da referida escola também está instalada neste mesmo porão. Pasmem: a biblioteca fica fora da escola. Como os alunos poderão utilizá-la, já que, além de estar fora da escola, o espaço é utilizado como sala de aula? 
Enquanto classe trabalhadora precisamos nos articular e lutar por nossos direitos.  O sindicato dos professores da rede pública estadual se mantém calado diante da farsa da LC 100. Será o peleguismo se manifestando? E os professores que foram aprovados em concurso, mas não foram empossados em seus cargos devido à LC 100? Essa é a melhor educação pública do Brasil.


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Mas, afinal, como surgiu esta data? O texto abaixo trás alguns esclarecimentos a este respeito.

No Brasil, o Dia do Professor é comemorado em 15 de outubro.
No dia 15 de outubro de 1827, Pedro I, Imperador do Brasil baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, "todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras". Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A ideia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima - caso tivesse sido cumprida.
Mas foi somente em 1947, 120 anos após o referido decreto, que ocorreu a primeira comemoração de um dia efetivamente dedicado ao professor.
Começou em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como "Caetaninho". O longo período letivo do segundo semestre ia de 1 de junho a 15 de dezembro, com apenas dez dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a ideia de organizar um dia de parada para se evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano.
O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal,Piracicaba, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. A sugestão foi aceita e a comemoração teve presença maciça - inclusive dos pais. O discurso do professor Becker, além de ratificar a ideia de se manter na data um encontro anual, ficou famoso pela frase " Professor é profissão. Educador é missão". Com a participação dos professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a ideia estava lançada.
A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias".

Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_professor#Brasil, acessado em 14/agosto/2014.


terça-feira, 14 de outubro de 2014

Cantar na Lua


















Valorizando a cultura pitanguiense, divulgamos um vídeo com a música Cantar na Lua, recém postada no Canal do Rohr, de autoria do trio Reinaldo (Rohr), João Batista (Jonba) Freitas e William Santiago, interpretada pelo Miguel Rachid.
 

domingo, 12 de outubro de 2014

A Capela e Cruz no Monte

Depois da oração observo a cidade, pela máquina fotográfica, numa manhã de outubro [antes das queimadas] com a liberdade do olhar.



A capela da Penha e a serra da Cruz do Monte - 4/10/2014.
Fotos: Léo Morato.

sábado, 11 de outubro de 2014

A dama do sertão


Na postagem de hoje apresentamos mais uma obra literária, de autoria de Antônio Campos Guimarães, inspirada na vida da matriarca mineira Joaquina de Pompeu. 

Antônio Campos Guimarães

 Em "A dama do sertão" o autor explora o imaginário em torno de Joaquina e alimenta histórias sobre a matriarca e sua rivalidade com Maria Tangará, outra matriarca do centro-oeste mineiro, cujo casarão imponente abriga atualmente a Escola Estadual José Valadares. São obras de ficção como esta, que mantém viva a lembrança destas matriarcas. 




GUIMARÃES, Antônio Campos. A dama do sertão. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1985.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

São Francisco Futebol Clube, o Campeão da Simpatia


Em minhas idas ao Brumado deparei-me com este adesivo na Van do Chicão. Era o que eu precisava para elaborar mais uma postagem para o blog. Um pouco da história do São Francisco foi contada por Marcos Antônio de Faria, na coluna "Ronda dos Clubes", mantida por ele no jornal Correio de Pitanguy. Clique na imagem abaixo ,para ampliá-la e ler a matéria.


O hino do São Francisco Esporte Clube foi composto pelo músico e compositor pitanguiense Patesko, cuja letra apresentamos abaixo:

São Francisco Esporte Clube
Sua bandeira insinua tanta glória
Se joga Pitangui se engalana
Em cada jogo, nova vitória
No alto São Fransco ele nasceu
Em sua humildade então cresceu
Hoje dizemos num brado de alegria
São Francisco CAMPEÃO DA SIMPATIA.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Há três dias o fogo consome as matas no entorno de Pitangui

CADEIA PARA QUEM PROMOVE INCÊNDIOS FLORESTAIS!

Há três dias um incêndio, que começou no bairro da Serra, consome as matas de Pitangui. Nesta tarde o fogo atingiu as proximidades do bairro Dona Judith Abreu, próximo à Penha. O clima seco fica mais insuportável com a fumaça dos incêndios nas matas. A mata do Céu está sendo consumida pelo fogo.

Foto: Licínio Filho
Foto: Licínio Filho
É preciso maior rigor na fiscalização contra os incêndios nas matas. Quem é responsável por isso? A população também tem que participar denunciando quem promove este tipo de delito.

Foto: Licínio Filho
A falta de educação, a negligência e a impunidade é que permitem a repetição, todos os anos, dos incêndios nas matas do município. Além dos danos ao meio ambiente a emissão de fumaça também provoca problemas à saúde. 
Se os seres humanos não mudarem urgentemente sua relação com a natureza estaremos fadados a desaparecer, como toda vida no planeta Terra. A água, elemento vital, está acabando.


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Dia do Compositor Brasileiro


Maracatu da Menina Donzela.
Produção do vídeo: Maíra Santiago.

Hoje, 7 de outubro comemora-se o Dia do Compositor Brasileiro. O músico é um artista que, por meio de seu trabalho traz cor e alegria para os ouvidos, para a alma e para o coração. Então, neste dia, parabenizamos a todos os músicos pitanguienses, em especial aos compositores. E a homenagem será representada pela música Maracatu da Menina Donzela, interpretada pela Mara Nazar, composta pelo Reinaldo Rohr, Jonba (com N mesmo) e Ricardo Nazar, o vídeo foi postado hoje no Canal do Rohr, confira. O que seria da vida sem música não é mesmo?

Eleições 2014

Apresentamos a apuração dos votos da eleição 2014 em Pitangui

Seções - 65
Eleitorado - 20.015
Abstenções - 3.269 – 16,33%
Comparecimento - 16.746 – 83,67%


Clique nas imagens para ampliá-las 


Presidente

Votos válidos – 15.501 (92,57)
Em branco – 606 (3,62%)
Nulos – 639 (3,82%)


Senador 

Votos válidos – 12.844 (76,70%)
Em branco -1.856 (11,08%)
Nulos – 2.046 (12,22%)


Governador

Votos válidos – 14.171 (84,62%)
Em branco – 1.394 (8,32%)
Nulos – 1.181 (7,05%)


Deputado Federal (os 15 mais bem votados)

Votos válidos – 14.615 (87,27%)
Em branco – 1.302 (7,77%)
Nulos – 829 (4,95%)



Deputado Estadual (os 15 mais bem votados)

Votos válidos – 14.530 (86,77%)
Em branco – 1.379 (8,23%)
Nulos - 837 (5%)




segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Quando, ainda, as crianças brincavam na rua


Na edição da primeira quinzena de 1987, o jornal "Correio de Pitanguy" trazia na página oito interessante matéria sobre a prática do "Bente-Altas", brincadeira muito comum entre crianças, jovens e adultos até meados da década de 1980. 
A matéria é muito interessante e nos mostra como educadores estimulavam sua prática, além de apresentar também as origens desta brincadeira/esporte. Clique na imagem para ampliá-la e ler o conteúdo da matéria.
Hoje quase não vemos este tipo de brincadeira, parece que elas não cabem nestes "tempos modernos", onde o sedentarismo vem tomando conta da juventude, que passa horas sentada diante do computador ou olhando para a tela do celular. A falta de áreas de lazer também e de segurança contribuem com este quadro. 

sábado, 4 de outubro de 2014

Os velhos problemas de sempre


Consultando a edição da segunda quinzena de 1988, do jornal "Correio de Pitangui", então em circulação, deparei-me com a manchete acima. Há 26 anos atrás Pitangui já enfrentava os mesmos problemas de hoje. Se o leitor não observar a data da publicação pensará que trata-se de notícia atualíssima. A matéria também informa sobre os problema do trânsito na região central da cidade, que ainda não foi solucionado, encontra-se em situação caótica, principalmente nos horários de pico.
E assim caminhamos para os 300 anos.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Uma Cervejaria Pitanguiense?

 
A imagem acima é um rótulo de cerveja que foi compartilhado conosco pelo internauta Alexander Lago, de Itaúna-MG, que, segundo ele, é um apreciador da História e pesquisador desta aguaria. O Alexander tem uma página no facebook sobre cervejas, coleciona antigos rótulos e chegou até o Blog para obter informações sobre o(a) Sr(a). J.N. Ferreira Diniz, suposto(a) fabricante da CERVEJA LUSITANA em Pitangui. Em nossas pesquisas não obtivemos maiores detalhes até o momento, mas devido à raridade deste registro histórico (o rótulo) compartilhamos o tema com os nossos leitores, afim de obter novas informações. Afinal hoje é sexta feira, dia mundial da cerveja.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Parem as turbinas! O rio secou.

     Quando Francisco José de Andrade Botelho resolve construir em Pitangui uma fábrica de tecidos, a primeira opção de local recaiu sobre a fazenda da Ponte Alta, mas o terceiro marido de Amélia Lobato (matriarca dos Lobato Pitanguienses), José Quintiliano Rodrigues Pereira, se mostrou contra a venda. Restou a Francisco a segunda opção que foi a parte baixa do Brumado. A escolha do local estava condicionada a um fator fundamental para o funcionamento do maquinário: água!


     Em Brumado não nos foi possível descobrir se Francisco reaproveitou trechos de um antigo rego de mineração ou se mandou abrir um rego de quilômetros de extensão para que a água chegasse com uma altura suficiente para girar o maquinário. Detalhe, não estamos falando aqui em energia elétrica e sim mecânica. A água movimentava uma roda que transmitia a rotação diretamente para o maquinário. A tubulação original ainda se encontra no local da fábrica e muitos no Brumado ainda fazem uso desta água.

Antiga fábrica do Brumado, no alto, a direita, é possível observar a construção
 da nova unidade em local mas alto, foto provavelmente de 1913/1914

     O terreno baixo e alagadiço era um problema mas estamos falando do ano de 1873 e a primeira hidrelétrica do Brasil só veio a funcionar em Diamantina em 1889. Foi somente em 1911 que a direção da já então Companhia de Tecidos Pitanguiense resolvem comprar a cachoeira de Bento Lopes, no rio Pará,  para a construção de uma usina hidrelétrica e no dia 02 de fevereiro de 1914 a fábrica do Brumado já estava servida de energia elétrica fornecida pela Usina de Bento Lopes. Isto permitiu a transferência da fábrica para a parte alta do bairro e também a construção da unidade no centro de Pitangui.

     Além de abastecer as unidades fabris a usina também foi responsável pelo fornecimento de energia para as cidades de Pitangui, Conceição do Pará, Papagaios, Cercado (Nova Serrana) e Perdigão. Com a estatização do fornecimento de energia a usina passa a atender somente as fábricas de Brumado, Pitangui (atualmente desativadas) e Pará de Minas.

Foto antiga da usina

     De início eram duas turbinas e posteriormente foram montadas mais duas. Em um convite para os festejos da visita do governador Juscelino Kubistchek, anunciava que às 09:00 do dia 30 de agosto de 1953 seriam inauguradas as “novas unidades hidro-elétricas da Companhia Tecidos Pitenguiense”. Não nos foi possível confirmar se tal inauguração contemplava o aumento do número de turbinas.

Turbinas situadas na parte inferior da usina. Foto: Cláudio Faria

     Com as necessárias modernizações a agora chamada Usina Dr. José Lima Guimarães chegou aos seus 100 anos de funcionamento com uma capacidade geradora de 1,6 mWh (megaWatt/hora), isto em condições normais de disponibilidade de água, mas...

Turbinas situadas na parte superior da usina. Foto: Cláudio Faria

     Como consequência do extenso período sem uma ocorrência de chuvas em volume satisfatório o nível da água do rio Pará vem caindo drasticamente e em uma visita a usina no dia 23 de agosto o operador de usina Geraldo Márcio Moreira nos disse que havia só uma das quatro turbinas em funcionamento, mesmo assim gerando apenas 230 kWh (quilowatt/hora) o que já não era suficiente para fazer funcionar o maquinário da fábrica de Pará de Minas. No mês seguinte, pela primeira vez em uma história de um século de funcionamento, o responsável pela usina Rogério Martins Braga se viu obrigado a fechar a última comporta e manter a derradeira turbina em giro mínimo gerando apenas 16 kWh o suficiente para manter a rede energizada. Persistindo este período crítico de seca, esta última turbina corre o risco de ser totalmente paralisada.

Situações extremas do rio Pará. A esquerda em época de cheia
 e a direita o rio atualmente. Foto: Vandeir Santos

Vandeir Santos